segunda-feira, agosto 13, 2007

De volta pra casa

Abel Braga já disse e repetiu diversas vezes que o Beira-Rio é sua segunda casa. O carioca da gema se considera quase um gaúcho, das tantas vezes que já esteve a frente da comissão técnica do colorado. Depois de vencer tudo no ano de 2006, a motivação pra se dar continuidade a um trabalho é difícil de ser reestabelecida. O começo de 2007 não foi bom, Abel mesmo admite. A campanha no Gauchão e na Libertadores desgastaram um pouco da boa relação entre o técnico e a torcida. Abel resolveu dar um tempo: analisou propostas, descansou, enfim, recarregou as baterias. Com a saída de Alexandre Gallo, de passagem discreta pelo clube - conquistou a Recopa e mais alguns resultados medianos -, Abel volta com o brilho nos olho de outrora. Postou um Inter certo como há muito não se via diante do Goiás: adiantou um pouco Guiñazu, em ótima parceria com Alex pelo lado esquerdo, trouxe de volta Wellington Monteiro para a guarnição da zaga e deixou Pinga colado aos atacantes. Foi 1 x 0, mas poderia ter sido mais. Harlei, goleiro do time esmeraldino estava em tarde quase perfeita, não fosse a bola cabeçeada pelo novo xodó Adriano ter entrado mansamente após bater na trave esquerda. Sinto boas vibrações nessa volta de Abelão, treinador com a cara do Inter e gaúcho por escolha.
Instabilidade

O Grêmio que entrou em campo contra o Corinthians já não é mais o mesmo da Libertadores. Consenso geral entre os gremistas. Porém, a a posição na tabela do Brasileirão mostra que a regularidade se manteve. O Grêmio vence uma aqui outra ali, empata fora de casa e assim vai se mantendo no topo da classificação. O que assusta são as apresentações, não os resultados. Um time sem grandes destaques individuais, tendo no garoto Carlos Eduardo o principal meio de desafogo, esse é o Grêmio de hoje. Quando Diego Souza e Tcheco não jogam bem, o time sente e muito. Ontem, vencendo até o final da 2ª etapa, o tricolor deixou-se surpreender pelo fraco time corintiano, em uma bola parada (erro de Pereira) e na boa jogada do pretendido Gustavo Nery. Depois da derrota para o São Paulo, a goleada sobre o América de Natal parecia sufuciente, mas não foi. O Grêmio de ontem demonstrou uma instabilidade nos mais diversos âmbitos: na defesa, na hora de segurar o resultado e com o técnico Mano Menezes, expulso no final do jogo. A torcida anda impaciente, e está no seu direito de cobrar mais.
Nascido para os holofotes

Das ruas bucólicas da pequena Pato Branco surgiria para o futebol uma das maiores revelações das últimas décadas. O garoto Alexandre, desde pequeno, botara na cabeça a idéia de ser jogador de futebol. Idéia comum entre os garotos de pouca idade, mas o caso de Alexandre Rodrigues era diferente, possuía uma convicção que surpreendia a todos. Tanto é que com apenas 11 anos já estava alojado no Estádio Beira-Rio, vivendo longe do carinho do pai e dos mimos da mãe, cercado por meninos que dividiam com ele os mesmos sonhos. Deixava de lado uma adolescência normal, como a de muitos outros, pra tentar a sorte mesmo com as grandes dificuldade que se avizinhavam. Imberbe, de aparelho nos dentes, ele conquistou tudo pelas categorias de base do clube.


A maior dessas conquistas foi sem dúvida o Campeonato Brasileiro sub-20, com direito a goleada sobre o arqui-rival na final do torneio, 4 x 0, com show da promissora dupla com Luiz Adriano. Vieram também as convocações para as seleções de base, sub-15, sub-17 e a última, sub-20. Pato (apelido herdado da cidade natal) cresceu, assim como seu futebol. Aos poucos, os rumores de que o maior craque depois de Falcão estava para surgir na Avenida Padre Cacique: um garoto quase completo, bom cabeçador, veloz, de chutar qualquer bola não importando a perna. Em sua saída para o Bétis, da Espanha, Rafael Sóbis, outro das grandes revelações surgidas no Inter, declarou que seu substituto já estava no Beira-Rio, o que acabou se comporvando no jogo Palmeiras 1 x 4 Inter, estréia de Pato pelos profissionais. Demonstrando uma maturidade impressionante para seus 17 anos, Alexandre Pato marcou um gol e deu passe para outros dois.


Estava praticamente carimbado seu passaporte para o Mundial que viria logo ali a frente, no Japão. O jovem prodígio teve fundamental importância nos dois jogos, abrindo o placar contra o Al Ahly e movimentando-se intensamente contra os zagueiros Rafa Márquez e Puyol, do Barcelona. Com apenas 17 anos Pato já fazia parte da maior conquista de toda história de um clube de 97 anos.


O ano de 2007 começou e mesmo com as campanhas ruins no Estadual e na Libertadores da América, Pato continuou chamando atenção, principalmente dos europeus. Com a conquista da Recopa, Pato praticamente fechou seu ciclo curto, porém vitorioso na história do Internacional. A apaixonada torcida colorada esperava curtir um pouco mais seu ídolo, quem sabe até o final do ano, mas sua venda para o Milan, da Itália, não surpreende.


Pato é do tipo de jogador que não se esconderá, mesmo no duro futebol italiano. Ronaldo que se cuide. O que fica para os gaúchos é a saudade de poder ver nos seus gramados um menino do cacife de Alexandre. Dos gols espetaculares, dos balãozinhos de ombro e das grandes conquistas alcançadas. Um menino nascido, definitivamente, para brilhar.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Estrategistas

Como o jornal Zero Hora desta quinta-feira destacou, o jogo de hoje à noite em Florianópolis será um verdadeiro duelo de estrategistas. De um lado, Mano Menezes, do outro, Mário Sérgio. O time gremista vem numa sequência razoável de resultados, mesmo não apresentando um futebol convincente para seu torcedor. Os dois recentes empates em casa contra Palmeiras e Atlético-PR, além da vitória magra contra Flamengo mostraram que ainda há muito a se fazer. Por isso o jogo de hoje à noite passa a ser um ótimo teste. O Figueirense, de boa campanha no nacional, tem no seu comando o homem que ajudou a reestruturação do Grêmio após o pesadelo de 2005. Com uma vitória hoje, o tricolor entra firme na batalha pelo título do Brasileirão. Mesmo não sendo brilhante, o Grêmio é regular. E isso pode definir campeonatos como o deste ano.
Mas nem tanto

O Campeonato Brasileiro mostra-se tão irregular e nivelado que mesmo as maiores convicções podem ser quebradas do dia para a noite. O Inter que se viu ontem à noite não foi nem de perto o que se apresentou na Ilha do Retiro, domingo. Não que todos os elogios destinados ao técnico colorado tenham ido por água abaixo. Longe disso. O colorado está sim numa linha ascendente, porém, o andamento do campeonato prova que não se pode criar muitas expectativas. Isso serve para colorados, gremistas, são paulinos e por aí vai. Nada deu certo ontem: Pato perdendo gols que normalmente não perderia, a zaga colorada levando dois gols exatamente iguais. O Vasco também teve seus méritos. A partir dos 20 minutos do segundo tempo os cariocas povoaram e conquistaram o meio-campo, com boa atuação do ex-colorado Perdigão (direita na foto). Culpa de Gallo? Creio que não. Domingo, em pleno Mineirão, o Inter terá que reaver os pontos perdidos no Beira-Rio. Lá, provavelmente já estarão o reforço de qualidade de Guiñazu e Magrão. Tarefa díficil vencer o Cruzeiro, mas não impossível.

segunda-feira, julho 30, 2007

Rumo certo...

Demorou mas Alexandre Gallo conseguiu dar ao Inter uma cara de time. Ainda é um tanto incerto qual equipe é a titular, mesmo qual esquema é o preferido, porém, já se percebe que o elenco se achou. Na vitória de ontem contra o Sport Recife, apesar de jogar no 3-5-2 e sem Alexandre Pato, o Inter parecia jogar em casa. Ao tomar conta do meio-campo, tudo ficou mais fácil, até mesmo conseguir alcançar a dilatada goleada de 5 x 1. Há de se considerar que o Sport era o ex-time do treinador, e que por isso todos os segredos eram conhecidos. Mas a sequência de bons resultados já animam o torcedor: o Inter pulou da proximidade com a zona de rebaixamento para a 6ª posição da tabela.


Com a entrada dos reforços a partir do mês de agosto, o colorado tema a chance de finalmente buscar o título após dois vices-campeonatos seguidos. Guiñazu, Magrão e Fernandão são os principais acréscimos de qualidade, e são candidatos certos à titularidade. Com eles, Inter e Gallo poderão tornar-se ainda mais azeitados. Na quarta, contra o Vasco, reside a chance de enfrentar um candidato direto à zona da Libertadores. A boa fase, definitivamente, está de volta.

quarta-feira, julho 25, 2007

Sim, nós temos atacantes!

Na reedição da Batalha dos Aflitos, ninguém quase morreu do coração, felizmente para os gremistas. Numa vitória digamos, tranqüila, com um Náutico bastante irregular, o Grêmio venceu e mais, aproximou-se do topo da tabela. E quem acabou dando as caras foram o centroavante Tuta e Carlos Eduardo, balançando as redes dos Aflitos nos 2 x 0. O Grêmio vinha demonstrando grande carência no setor, e isso ficou ainda mais claro na vitória sobre o Flamengo, quando o gol teve que ser marcado por um zagueiro, que nem do Grêmio era! Ótima notícia pros gremistas, que finalmente presenciaram a volta do ataque.

O tricolor já é, pelos meus cálculos, vice-líder do Brasileirão, pelo menos nessa noite de quarta-feira. Apesar das ruas rodadas à frente do Botafogo, o Grêmio se credencia como grande candidato ao título. Times razoavelmente azeitados, combinados com um plantel de boa quantidade, são naturais pretendentes desse nacional que está claramente nivelado por baixo. Se Grêmio e Inter acordarem pra essa facilidade, a classificação à Libertadores virá fácil, acreditem.
Desculpa aí Marcos Aurélio...

As palavras ditas pelo Rei Pelé essa semana devem ter feito muita gente considerar melhor a opinião do baixinho Romário. "O Pelé calado é um poeta", afirmou certa vez o homem dos mil gols (o mais recente, no São Januário). Pois não é que o Rei se superou de novo? Essa semana, em entrevista a um jornal italiano, Pelé afirmou que os dirigentes do Milan deveriam prestar mais atenção em Marcos Aurélio, do Santos, do que apostar todas as fichas em um garoto como Pato. Segundo ele, Pato ainda precisaria conquistar mais títulos, ao contrário do avante santista. O fato é que Alexandre Pato já conquistou algumas coisinhas com a camisa colorada, entre elas um Mundial de Clubes, uma Recopa sulamericana e um Mundial Sub-20. Baita mancada, mas superemos.

Na rodada de hoje, somos obrigados a voltar ao assunto. O Inter só conseguiu sua magra vitória graças ao talento - para mim incontestável - do garoto Pato, que em jogada individual estufou as redes de perna esquerda, que não é a boa. Enquanto isso, na distante Goiânia, o queridinho do Rei perdia pênalti, deixando escapar um possível empate para o time do Santos. Como ouvi de algum colorado, "o Pelé, esse era gênio, mas esse Édson...".

sexta-feira, junho 01, 2007

Cutucada
do Cúcuta

Não é a primeira vez que presenciamos uma Libertadores da América onde um time, completamente desconhecido e desacretidado, surge como potência e derruba gigantes. O pequeno Cúcuta, da Colômbia, depois de fazer 3 x 1 no Boca Juniors, ontem à noite, surge como grande candidato à finalíssima. Nem mesmo o peso da camisa azul-amarela do Boca intimidou os ávidos colombianos, comandados pela atuação brilhante do centroavante panamenho Bláz Perez (foto à direita). Esse mesmo Cúcuta, que aplicou 3 x 1 no Grêmio, na primeira fase do torneio, espelha-se no passado recente para buscar o caneco. Na Libertadores de 2004, o conterrâneo Once Caldas levou o torneio com vitória sobre o mesmo Boca, e apresentava exatamente as mesmas características do atual semi-finalista. E você gremista, prefere pegar quem na final: Boca Juniors ou Cúcuta?
Vivo

Depois do sofrido 3 x 0 para o banguzinho do Fluminense, os colorados mais pessimistas já temiam uma goleada ainda maior para o atual campeão mexicano. O Inter, postado com nove jogadores atrás da linha do meio-campo, via em Alexandre Pato a via de desafogo, e foi por ele que o colorado abriu o placar: 1 x 0, logo no início do jogo. O time de Gallo se mostrava muito respeitoso, segurando o Pachuca com três volantes na meia-cancha e dê-lhe dar balão pra cima. O excesso de respeito encontra explicação na atual fase do colorado: um time que está com a confiança tão abalada não poderia ir pra cima na casa do adversário. Esse zelo exagerado terminou em dois gols dos mexicanos, que de tanto insistirem marcaram seus gols pelos pés do argentino Giménez. O gol marcado fora de casa mantém viva a esperança da conquista da Tríplice Coroa. Apesar da derrota, pode-se ver que o Pachuca não é um bicho de sete cabeças, mas é preciso jogar.

quinta-feira, maio 31, 2007

Vitória maiúscula

Quem assistiu a Grêmio 2 x 0 Santos ontem à noite viu uma partida de apenas um time. Desde o primeiro minuto de jogo, um Grêmio consistente e obcecado pelo primeiro gol envolveu o Santos de tal maneira que o resultado não poderia ter sido diferente. O time paulista só teve um lance de perigo, chute de Marcus Aurélio defendido por Saja nos minutos iniciais. Só. Depois disso o tricolor fez questão de garantir boa vantagem para o jogo de volta, com Tcheco, de pênalti, e Carlos Eduardo, numa bobeada do zagueiro Adaílton. O Grêmio vinha garantindo suas classificações jogando sempre a segunda partida em casa, dessa vez será o contrário. Pela maturidade apresentada ontem, será difícil tirar a vaga à final das mãos gremistas.

terça-feira, maio 29, 2007

Momento

A convocação do garoto Carlos Eduardo, avante gremista, não deve surpreender aqueles que têm acompanhado de perto a Era Dunga. Há tempos a Seleção Brasileira não via um técnico que colocasse tanto seu dedo nas convocações. Estávamos acostumados com um Parreira devagar quase parando na Copa de 2006, que pouco deu oportunidades pra atletas atuantes aqui, e agora presenciamos um técnico que possui o oposto como prioridade. A Seleção que irá a Copa América será formada por vários desses atletas, além daqueles que estão atuando na Europa mas que nunca haviam recebido chance, caso de Lincoln. O título da postagem é Momento porque parei pra pensar: Carlos Eduardo é muito menos badalado que Alexandre Pato, porém, vem jogando um futebol muito melhor que o do garoto colorado. A explicação reside em apenas um lugar comum: o momento atual da dupla. Enquanto o Inter se vê perdido em seus próprios erros, o Grêmio está embalado e entrosado, perto de uma classificação à final da Libertadores. Se essa convocação tivesse sido feita em dezembro, dificilmente alguém apostaria na presença do menino Carlos Eduardo, mas sim na do garoto colorado. O que o momento não faz...