domingo, dezembro 17, 2006

Planeta Vermelho

Aconteceu. O sonho vivo no imaginar de todos os colorados concretizou-se às 10h30, desse domingo, no apito do árbitro. O Internacional é campeão do mundo de clubes, no Japão. A façanha torna-se ainda maior pelo fato de ter sido tão árdua. O adversário era nada mais nada menos que o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, o melhor jogador do planeta. Além dele dá pra se listar Deco, Zambrotta, Iniesta e por aí vai. Era quase consenso, no meio da semana, que não havia forma de se bater os catalães. Mesmo que o Inter fizesse a melhor partida de sua vida, teria de torcer para que seu adversário não estivesse num dia bom. Não foi o que aconteceu. O Barcelona, como de costume, não sentiu o peso e a pressão da final, jogando com toda sua naturalidade. Ameaçou o gol de Clemer, trocava passes à exaustão, mas deparou-se com algo inesperado: aquele time brasileiro não jogava como um time brasileiro deveria jogar. A marcação era tão forte que o máximo conseguido pelos espanhóis eram chutes de longa distância. O Inter abdicou, de certa forma, de atacar em boa parte do 1º tempo e começo do 2º, quando o predestinado Adriano Gabiru (ele mesmo, execrado nos pagos rio-grandenses), substituindo o capitão Fernandão, recebeu passe de Iarley e viu-se frente a frente com Valdes, goleiro do Barça. Imagino o que não passou pela cabeça do alagoano Gabiru neste momento...Todas as vaias recebidas, a vida difícil, tudo isso seria esquecido se seu pé direito empurasse a bola para o fundo das redes da goleira do belíssimo estádio de Yokohama. Aconteceu. Aos 38 do segundo tempo o Inter tornava-se campeão mundial de clubes. Davi derrotava Golias. O semblante de Ronaldinho ao final demonstrava o sentimento da metade azul dos gaúchos: incredulidade. Já o sorriso do garoto Pato simbolizava a alegria dos vermelhos, que chegavam ao ponto mais alto de seus 97 anos de história. Comemore torcedor colorado. Essa alegria é só sua, e não poderia ser maior.



quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sufoco!

Não se podia esperar um jogo fácil. O adversário, além do time africano do Al Ahly, era também a ansiedade e o nervosismo pela estréia no maior torneio de clubes da FIFA. Já na entrada dos times em campo, os jogadores colorados entravam perfilados e demonstravam o tamanho da responsabilidade em suas feições: todos tensos, de poucos sorrisos. Quando a bola rolou, nos primeiros 15 minutos, viu-se um Al Ahly jogando sem maiores responsabilidades, tocando a bola como se ali estivessem em Cairo. Para o Inter, a bola não parecia estar redonda: os passes saíam ou fortes demais ou demasiadamente fracos, nunca se viu tantas bolas na canela como no início do jogo. Então surgiu Alexandre Pato, que no alto dos seus 17 anos de idade, assumiu a responsabilidade aproveitando-se de falha da zaga egípcia e mandando, impiedosamente, um chute de peito de pé, rasteiro, estufando as redes do Estádio Nacional de Tóquio. A partir daí tudo se acalmou e o time finalmente se encontrou. Certo? Errado. O Internacional de hoje fez os colorados relembrarem a dura década de 90, quando o time saía na frente e retrancava-se, começando a jogar mal. O time egípcio dominou o fim do primeiro tempo e boa parte do segundo, marcando seu gol em uma patetada da defesa colorada, com o centroavante angolano Flávio. Para os colorados nada vêm fácil, tudo, até o mais profundo regozijo, tem de vir envolto em sofrimento. Foi quando Luiz Adriano, aquele mesmo garoto vaiado na última apresentação no Beira-Rio perante sua torcida, meteu sua abençoada testa do bairro Bom Jesus cumprimentando cruzamento de Ceará. Inter 2 x 1. É importante registrar-se que estréias nunca são fáceis, principalmente quando a responsabilidade é do tamanho do mundo, literalmente. O primeiro passo já foi dado, com dificuldade, é verdade, mas agora que venha a final. O Inter já está lá, e espera, de camarote, à Barcelona ou América do México para, quem sabe, pintar o planeta de vermelho .

Desmanche


O processo pelo qual passa o time do Grêmio pós-Brasileirão começa a assustar um pouco sua torcida. Da espinha dorsal formada pelo técnico Mano Menezes no segundo semestre de 2006 já não restam muitos jogadores: saíram Evaldo, Jeovânio, Hugo e Rômulo, pra ficar só nos titulares. Eu sinceramente não creio que fosse algo imprevisto pela diretoria gremista, ainda mais sabendo que, desde a parada para a Copa do Mundo, o Grêmio encaminhava-se bem para a volta à Libertadores (o que acabou acontecendo). O acontecimento se explica por duas razões: primeiro que a maioria dos contratos feitos pelo tricolor expiravam-se em dezembro, casos de Rômulo e Hugo; segundo que com a projeção conquistada pelo elenco na temporada 2005/06 - título da Série B somado ao 3º lugar na série A - seria natural o aumento nos pedidos salariais, casos de Jeovânio e Maidana. O que interessa realmente ao torcedor é saber quando e como o Grêmio se reforçará. Parece estar chegando a Porto Alegre o xerife argentino Schiavi, boa contratação, apesar de que admito desconhecer o momento em que o atleta se encontra. 2007 tem tudo para ser um ano ainda melhor que 2006 para a torcida, mas que a diretoria gremista não pense que as reposições serão tarefa fácil e muito menos simples. A espinha dorsal tem de ser refeita, e quanto mais cedo, melhor...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Primeiro passo


Quem assistiu ao primeiro jogo do Mundial de Clubes, que definiu o Al Ahly como o adversário do Internacional na semifinal do torneio, não deve ter ficado muito assustado. A carência de qualidade individual e coletiva ficou clara nas duas equipes, apesar do time egípcio mostrar um pouco mais de intimidade com a bola. A jogada principal é uma tabela feita pelo chão utilizando o centroavante angolano Flávio como parede, que deu certo contra os neo-zeolandeses. Abel Braga e o elenco colorado puderam ver o que esperar do campeão africano, e devem ter chegado a uma conclusão consensual: o principal inimigo do Inter é ele mesmo. Caso vença a ansiedade e o peso de estar estreando no maior jogo da história colorada, o Inter vencerá, com certeza.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Tóquio é aqui

Depois de tempos sem me dedicar ao blog, não existe motivo mais nobre (e importante) para voltar a escrever: o Internacional finalmente está no Japão. Os colorados que hoje torcem para ver o time da Beira-Rio conquistar o planeta não tem muita noção do momento que estão prestes a presenciar. Esse time, de Fernandão, Edinho, Clemer, está na eminência de inserir o maior título de 97 anos de história no clube.
Após uma conturbada viagem, a chegada a Tóquio foi relativamente tranqüila. Aos poucos, os atletas se adaptam ao fuso, ao clima frio e à espera para a próxima quarta-feira, quando iniciam a caminhada à final. Antes devem assistir ao jogo do Al Ahly x Alckland City, no domingo, com a intenção de se prepararem e analisarem o possível adversário.
É o Inter respirando os ares orientais, à espera da realização do sonho de cada colorado espalhado pelo planeta. Força Inter, e que quarta seja o início deste sonho.

terça-feira, novembro 14, 2006

2007 promissor

Diálogo entre dois gremistas, pós-Gauchão e pré-Campeonato Brasileiro:
1º gremista: - E aí velho, o que esperar desse Brasileirão?
2º gremista: - Olha cara, sinceramente? Se a gente não cair pra 2ª de novo tá bom...
1º gremista: - Que é isso velho!?! Com aquele time que a gente ganhou o Gauchão dá pra fazer bonito nesse campeonato! Jeovânio e Lucas ali atrás sem deixar passar nada, e o guri Pedro Junior, depois desse gol na final, finalmente deve vingar.
2º gremista: - Deus te ouça...
1º gremista: - Tô falando sério! O negócio tá tão nivelado por baixo que um time médio pode muito bem fazer boa campanha.
2º gremista: - Tu acha que o Grêmio tem condições de chegar na frente de Cruzeiro, Santos, Fluminense???
1º gremista - Sim.
2º gremista - Só quero ver...
O Grêmio não só provou a teoria do 1º torcedor como a superou. Fez do ano do retorno à série A um ano espetacular. Depois da difícil e ríspida disputa da Série B do Brasileirão, em 2005, com a manutenção de boa parte do elenco e do técnico Mano Menezes, o tricolor mais uma vez fez história. Faltando matematicamente 2 pontos pra confirmar presença na zona da Libertadores (incluindo-se a pré), o Grêmio fecha em grande estilo o ano de 2006. Com algumas boas contratações somadas ao material humano que já possuía, Mano pôde por em prática suas idéias e teorias sobre formação tático, dando ao time da Azenha um padrão de jogo que há muitos anos não se via. A felicidade definitavemente voltou ao semblante dos gremistas. Não é para menos, 2006 encerra-se com uma campanha meteoricamente ascendente e vê-se, logo ali a frente, o retorno ao lugar que o Grêmio acostumou-se a freqüentar: as competições continentais.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Hora do teste

Para aqueles que ainda acreditavam no título, a última rodada do nacional veio como um balde de água fria. O empate com o Santos, no Beira-Rio, somado a vitória do São Paulo contra o Botafogo, nessa quinta, dificultaram ainda mais as chances do Internacional de chegar ao tetra nacional. A diferença é de 7 pontos em 12 a serem disputados, missão quase impossível. Chegou a hora, definitivamente, de preparar o time para o campeonato mais importante dos 97 anos de história colorada: o Mundial de Clubes. O colombiano Fabián Vargas pede passagem, e ainda assim é preterido por jogadores contestados como Michel e Adriano Gabirú. É consenso entre os colorados que esses dois não são mais do que jogadores de grupo, resta à Abel decidir. O importante é se ter em mente que esse é um momento único. Podemos ter um fechamento de ano brilhante para o lado vermelho do Estado, com um título nada mais nada menos do que mundial. Não é impossível, bem pelo contrário. Com um time bem azeitado, já centrado nos pontos fortes do possível adversário - o poderoso Barcelona - o Inter pode chegar no Japão e trazer a taça para a distante Porto Alegre, junto da 6ª e mais brilhante estrela na camisa colorada. Basta Abel colocar na cabeça que a hora é agora. Pergunte para um colorado o que ele prefere: ser vice-brasileiro ou campeão do Mundo?
Finalmente, Brasileirão

Depois da vitória do Inter sobre o Botafogo e do surpreendente empate do São Paulo com a Ponte Preta, em casa, finalmente veremos nessas últimas rodadas um brasileiro no aumentativo. O campeonato, mesmo estando perto do seu fim, finalmente recebe o tempero que faltava. E logo no fim de semana dos clássicos. Isso mesmo. Tanto Inter quanto São Paulo decidirão seu futuro em clássicos regionais.Para nós, gaúchos, será um final de semana privilegiado. Há tempos não se via um Gre-Nal que valesse tanto, para colorados e gremistas. A vitória para o lado vermelho significa a continuação da luta pelo 4º título nacional, e do fechamento de um ano brilhante, com o Mundial, em dezembro. Para o lado azul, significa nada mais nade menos do que assegurar a tão volta à Libertadores da América. Com o tropeço no meio da semana, é importantíssima essa vitória domingo. Analisando friamente o jogo de domingo, vejo um leve favoritismo tricolor. O fato de jogar empurrado por sua torcida, e com um time mais completo do que o colorado - voltam Léo Lima e Hugo no meio de campo gremista -, dão ao Grêmio a possibilidade mais forte dos 3 pontos. Não quer dizer que o Internacional não possa surpreender. É difícil, mas pode acontecer. Caso tivesse que apostar, apostaria em empate, pra não me comprometer.A vida do São Paulo não é menos difícil: enfrenta o forte Santos, na Vila Belmiro. O empate contra a desfalcada Ponte Preta levantou interrogações na cabeça da torcida tricolor paulista, será que o São Paulo desperdiçará a chance clara de ser campeão nacional esse ano? A derrota na Libertadores deste ano ainda reside, escondidinha, no estádio Morumbi. A ansiedade é visível no discurso de alguns jogadores, e até mesmo no técnico Muricy Ramalho. A certeza é a de que o campeonato esquentou, finalmente. E tudo passa por esse final de semana...

domingo, outubro 22, 2006

Mudança de papel

Com o empate entre Grêmio e São Paulo, na tarde de domingo primaveril em Porto Alegre, os gaúchos acabaram por trocar de papel no Brasileirão. Agora quem segue mais de perto (se é que assim pode-se dizer) o tricolor paulista é o colorado, que bateu fácil a Ponte Preta em Campinas, no sábado.
O jogo dos líderes não foi como se esperava. Mais por falta de empenho paulista do que gaúcho. Por vezes, ficou até chato de assistir. Com um gol marcado aos 50 segundos de jogo, o São Paulo resolveu, inexplicavelmente, administrar o resultado desde ali. Só que o Grêmio, como mostrou hoje, é um time muito mais maduro do que o que começou o campeonato. Poderia ter empatado já no 1º tempo, mas foi só no 2º que Hugo desferiu um forte chute de canhota vencendo Ceni e igualando o placar. Ficou assim até o apito final, que acabou beneficiando, de certa forma, o São Paulo. Resta aos gaúchos continuarem vencendo e torcendo por tropeços da turma de Muricy. Quinta eles enfrentam o Figueirense, em Santa Catarina. Eu sou catarina desde pequeninho.
Outro fato curioso que o empate criou foi o do Gre-Nal do dia 5, próximo. Se Inter e Grêmio mantiverem as boas campanhas, podem disputar no clássico a chance de vencer o nacional. Será o novo Gre-Nal do século, na expectativa de um para a Libertadores do ano que vem. Daí o coração não agüentará...

domingo, outubro 15, 2006

No encalço do líder

Com a vitória de ontem sobre o São Caetano, em São Caetano do Sul, o Grêmio reassumiu a vice-liderança do Brasileirão. A situação é que está um pouco diferente de algumas rodadas atrás. A diferença para o São Paulo aumentou, e já está em 8 pontos. O título, como o próprio Mano Menezes definiu, é praticamente impossível, visto que faltam poucas rodadas e o time paulista parece ter voltado a jogar um bom futebol. Mesmo assim, a situação do tricolor gaúcho deve ser, no mínimo, deliciante para os torcedores. O Grêmio está na Libertadores de 2007. Isso é fato. Seu desempenho nesse returno de nacional garante isso. Também fica fácil de se apostar devido à concorrência - Paraná, Santos, Cruzeiro -, times medianos e pra lá de irregulares. O ano está ganho, resta ao Grêmio agora somar aos ponto a ponto, esperando por um tropeço são paulino. Esse tropeço pode ser causado pelas próprias mãos (ou pés) gaúchas, já que domingo que vem teremos o clássico no estádio Olímpico. Jogaço que pode apimentar o campeonato.
O Inter pega um Fluminense cabisbaixo, vindo de várias derrotas consecutivas. Cabe ao mistão de Abel fazer o dever de casa, com Iarley e Rentería no ataque. As pretensões coloradas no nacional já não animam mais o torcedor, mesmo assim, devemos ter bom público neste domingo.

terça-feira, outubro 10, 2006

A Disseminação das Chuteiras Brancas

“Zezinho lança para a esquerda, Totó domina no peito e já olha para o companheiro desmarcado na grande área, dando um passe magistral por cobertura. O centroavante domina macia a redonda no peito a fazendo deslizar pelo gramado, olha para o goleiro, o gol é certo. O estádio pára. A cidade pára. Ele vai marcar...chega Tonhão rasgando tudo de bico pra fora do estádio!” Jogadas como essa estão cada vez mais presentes no futebol que vemos hoje. A pobreza que toma conta do esporte nacional já é encarada até como natural pelos conhecedores do futebol, os mesmos que assistiram Pelé, Tostão e cia. Jogarem, hoje já se entregam ao futebol pensado, “tático”.
É uma legião de pernas de pau, volantes brucutus quebradores de bola, zagueiros que são apresentados à redonda um dia antes dos jogos, tomando conta dos gramados. Até mesmo o celeiro de ases, o Brasil, está se acostumando a vê-los desfilarem pelos estádios mundo afora, e o pior: com status de jogadores diferenciados. É engraçado já poder dizer “na minha época...” como fazem seguidamente meu pai e meu avô. Com apenas 20 anos de paixão pelo futebol, consigo claramente separar a década de 90 dos anos 2000. Acostumar-se a ver Edinhos, Jeovânios, Ediglês quando se viu Mauro Silva desfilando soberanamente na Copa de 1994, ou então seu xará Mauro Galvão, um zagueiro de menos de 1, 80 de altura, multicampeão pelos times que passou, é difícil.
O pior, infelizmente, não é isso. O que se vê atualmente é uma ridícula disseminação das chuteiras coloridas – são prateadas, azuis, vermelhas e mais comumente, brancas – e o mais catastrófico: nos pés dos pernas de pau. Na modesta opinião deste que aqui escreve, somente os craques deveriam ter esse direito. E esses mesmos craques teriam a honra do título outorgado por uma junta de analisadores do esporte bretão. É um pouco radical, admito. Mas se não for desse jeito, todos de chuteira preta! A chuteira colorida serve pra dar destaque àquele que traz alegria às multidões, marca gols de placa. Elas não foram feitas pra dar chutão pra fora da grande área.
Enfim, peço que se juntem a mim aqueles que prezam pelo futebol bem jogado, pelas tabelas surpreendentes, os elásticos infindáveis. Chega de ver times amarrados por padrões táticos implantados por treinadores retranqueiros, a multiplicação dos 0 x 0, 1 x 1. Digamos sim aos Ronaldinhos Gaúchos e não aos cabeças de bagre.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Paciência


É mais comum do que imaginamos a implicância por parte da torcida com determinados jogadores, em qualquer lugar do globo. A situação pela qual passa o jovem jogador Michel, do Internacional, é velha conhecida dos colorados. Antes dele os alvos eram Edinho e até mesmo o ex-ídolo, Rafael Sóbis, hoje no Real Bétis. Mas seria idêntica a desses outros jogadores o momento de Michel? Trazido em 2005 por Fernando Carvalho, o jogador chegou ao Beira-Rio trazendo na bagagem a desconfiança por parte dos vermelhos, que tanto o viram vestindo as cores do Juventude e sendo, por muitas vezes, carrasco do Internacional. Michel só passou a entrar com regularidade mesmo nesse ano de 2006, fazendo no 1º semestre, um trabalho, digamos, razoável. Marcou gols importantes na Libertadores, fazia bem às vezes de meio-campo no lugar de Tinga, e quando começava no banco, era sempre uma aposta de Abel para o 2º tempo. Mesmo nessa época, já era alvo das vaias vindas das mas diversas áreas do estádio. Após a parada da Copa do Mundo, Michel desencontrou-se. O futebol e a segurança parecem ter desaparecido, e junto disso, vieram as vaias mais fortes e mais freqüentes. Ficou claro, nesses dois últimos jogos (contra São Paulo e Figueirense), que o ponteiro sentiu o peso das críticas. No 1º tempo contra os catarinenses, conseguiu ser um dos mais apagados, num Inter que já estava fraco coletivamente. Abel faz certo em poupá-lo. Tirar o foco de cima do jogador parece ser a única solução. Edinho e Sóbis deram a volta por cima. Mas com Michel será preciso de muito mais paciência, e eu, sinceramente, não sei se os colorados a terão.

terça-feira, setembro 19, 2006

Inevitável comparação

Já está mais do que provado que o Grêmio tem um dos 4 melhores grupos do Brasil. Afirmo isso porque há algumas semanas a dúvida ainda residia na minha cabeça, seria mesmo duradoura a boa fase tricolor? Vice-líder do campeonato, o Grêmio já é apontado no centro do país como favorito ao título junto de São Paulo e Internacional, e tudo isso passa pelos pés de um jogador: Rômulo. O centroavante trazido do tímido Ituano, do interior de São Paulo, provou à todos que é uma das raridades do futebol brasileiro, quiçá mundial: um centroavante típico. Pra quem lembra, no 1º gre-nal do Brasileirão, um dos poucos destaques de ambos os lados foi o centroavante, em um jogo de pouco brilho e muita confusão. Contra o Botafogo, balançou a rede três vezes, mostrando oportunismo e boa dose de intimidade com a bola. Nele está uma das explicações para o ataque mais positivo do nacional pertencer ao time de Mano Menezes. Vendo-o jogar veio-me a comparação com um centroavante de sucesso do Grêmio da década de noventa. Esse mesmo. Jardel. Os dois não se assemelham muito na forma de jogar - Rômulo parece mais técnico com a bola no chão -, mas é inevitável a comparação. Jardel deu ao Grêmio uma Libertadores,um Brasileirão e uma Copa do Brasil. Rômulo ainda engatinha, mas vê logo a frente a possibilidade real de sua primeira grande conquista. Amanhã é a vez da Ponte Preta, em pleno 20 de setembro. Garantia de Olímpico lotado.

terça-feira, setembro 12, 2006

Jogaço

No próximo final de semana, teremos o privilégio de presenciar a reedição da final da Libertadores. Agora, válida pelo campeonato nacional, a partida entre São Paulo e Inter traz os dois times em momentos um pouco diferentes daqueles do mês de agosto. O time paulista não está num bom momento. Muricy começa a receber as primeiras críticas mais fortes por parte da torcida, insatisfeita com pontos perdidos para o Fortaleza em casa e para o rival Corinthians com 9 jogadores em campo. O jogo contra o colorado pode servir como motivação para o tricolor distanciar-se definitivamente no topo da tabela. Já o Inter vem numa ascenção. Venceu as últimas três partidas, parecendo finalmente ter focado o pensamento na conquista do Brasileirão. Depois da queda no pós-título, o Internacional mostrou domingo, contra o Atlético-PR, que tem ainda elenco para disputar o nacional. Jogo com garantia de faíscas: de um lado, o balançado Muricy Ramalho com Mineiro e cia, sedentos por vingança. Do outro, o confiante time de Abel Braga esperando aprontar mais uma pra cima dos paulistas. Façam suas apostas.
O Grêmio tem - nessa e na próxima rodada - a real chance de firmar-se definitivamente no grupo que disputará a Libertadores de 2007. Enfrenta, no Olímpico, à Botafogo e a Ponte Preta, times medianos que não tem assustado nesse brasileiro. Com a força da torcida e do futebol coletivo de Mano o time tricolor deve, finalmente, tranqüilizar e dar a confiança necessária ao esperançoso torcedor gremista, que sonha em ver o time voltar a pelear nos campos da América. A chance é agora.

domingo, setembro 03, 2006

O bom filho à casa torna

Só uma palavra define a campanha do Grêmio até aqui no campeonato nacional. Solidez. Na fria mas ensolarada tarde de inverno em Porto Alegre, o torcedor gremista voltava ao estádio Olímpico Monumental. E voltava feliz. Feliz porque após ver de longe seu time vencer 7 dos últimos 8 jogos no brasileiro, finalmente ele poderia estar junto novamente, gritando, apoiando, vendo de perto a campanha surpreendente que o Grêmio faz até aqui. E não foi diferente: por 2 x 1, o tricolor bateu o bom time do Paraná, que até aqui também fazia campanha regular. Tudo voltou ao normal, finalmente. Lugar de torcedor é e sempre será ao lado do time, no estádio. Depois da vexatória atitude de alguns gremistas no último gre-nal do Beira-Rio, neste domingo quem foi à Azenha foi com um só intuito, torcer.
Voltando a campanha gremista, já está se tornando repetitivo dizer o quão surpreendente ela é, mas é preciso registrar. No começo do ano, escrevi aqui que o Grêmio nao caía, de jeito nenhum, por ter grupo mais forte que outros times do brasileiro, etc. Hoje, vejo um Grêmio disposto a brigar pelo título, e com todas as condições possíveis. Ninguém segura o Grêmio, é o que parece.
Outra boa notícia vem das margens do Guaíba. O Inter parece ter caído em si e retomado um pouco o espírito que o consagrou campeão da América. A apatia parece ter dado lugar à motivação de ser tetra nacional, finalmente. Após a vitória de virada contra o Flamengo, no sábado, as declarações dos jogadores já aparentavam mais motivação, mais determinação. Essas duas vitórias longe de casa (Santa Cruz e Flamengo) serviram para medir as pretensões do Inter para o fim do segundo semestre. Dá para ser campeão, é só querer. Contra o Atlético-PR, é hora de voltar a vencer no Beira-Rio. Imagino o gre-nal do returno, no Olímpico, com os dois times tão próximos na tabela. O Estado vai tremer.

Só mesmo o Brasil

Zidane bate a falta ao lado da área, Henry livre, completamente desmarcado e na frente de Dida, marca o gol que abortava prematuramente o sonho do hexa campeonato na Alemanha. Hoje, dois meses depois, a seleção brasileira vence, com naturalidade, à poderosa Argentina por sonoros 3 x 0. Com um time de cara nova, já sem os medalhões Ronaldo, Cafu e cia., os selecionáveis de Dunga venceram e mais, deram show. Com gols de Elano (dois) e Kaká - que retornava após a tragédia diante da França -, o Brasil provou que é notoriamente surpreendente, e isso é exclusividade sua. Quem diria, até o mais otimista dos otimistas, que aquele mesmo time apático e desalmado de meses atrás, bateria passionalmente o mais aguerrido dos times? Dunga começa firme sua caminhada na seleção. Essa vitória dá o respaldo que ele precisava pra confiar no seu comando lá adiante, na Copa da África do Sul, em 2010. Além disso, é notável perceber a diferença do Brasil de Dunga para o Brasil de Carlos Alberto Parreira: mesmo sem a mesa experiência, o gaúcho parece ter instalado o seu espírito no time. Suas convicções parecem repercutir de forma positiva no grupo. A ausência de "cadeiras cativas" dá aos jogadores mais jovens a confiança pra buscar seu espaço, casos de Rafael Sóbis, Elano, Gomes e outros. Terça é a vez do País de Gales, teste mais fácil mais diferente para os brasileiros.

terça-feira, agosto 29, 2006

Diagnóstico Colorado

O Inter pós-Libertadores já não agrada mais a torcida. No jogo de domingo a tarde pode-se ouvir as primeiras vaias direcionadas ao time, na derrota para o Vasco. Vaias justificadas, sim. Há de se considerar que é um novo Inter: de 11 titulares, 5 deles não estavam presentes na tarde ensolarada de domingo. Desses 5, 4 já não pertencem mais ao colorado: Sóbis, Tinga, Jorge Wagner e Bolívar. Élder Granja estava fora por causa da lesão na panturrilha, que o tirou das finais da Libertadores. O diagnóstico passa também pelo estado anímico do time. Parece haver uma falta de ímpeto, de gana, como se o objetivo já estivesse conquistado, o que é um erro. O Inter não se pode deixar cair no mesmo erro do São Paulo de 2005: venceu a Libertadores e relaxou no Brasileirão, não jogando o mesmo bom futebol no Mundial, em dezembro. O nacional tem de ser usado como laboratório para dezembro? Sim, essa é a oportunidade de se azeitar um time de caras novas, sem o mesmo entrosamento daquele que conquistou a América há pouco mais de 10 dias. O que não se pode esquecer é que torcedor é torcedor. Ainda mais um torcedor que há pouco voltou a sentir o doce sabor de voltar a ser campeão. Se o time não melhorar a torcida irá chiar, está no seu direito. Amanhã é o Santa Cruz. E voltar a vencer já é urgente.
Qual o limite do Grêmio?

Passada essa 1ª rodada do returno do nacional, e passada também a euforia momentânea (justificada) pela qual passa a torcida gremista, não se pode deixar de perguntar: qual o limite do Grêmio? O time já se encontra na 3ª colocação - a melhor desde 2002 -, e vem, de uns tempos pra cá, mostrando um futebol mais consistente e, principalmente, com mais cara de Grêmio. Na vitória contra o Corinthians, o esquema que entrava em campo parecia defensivo demais, com um meio-campo povoado e com o solitário Rômulo na frente. Parecia. O Grêmio mostra em campo que de defensivo nada tem. Quando ataca, o time de Mano Menezes usa de 4 a 5 jogadores, sendo que dois deles são pensadores de bola (Hugo e Tcheco). Aí se explica o crescimento tricolor: um time disciplinarmente técnico que tem no comando, a beira do gramado, um treinador que promete, Mano Menezes. É díficil se projetar se o Grêmio chegará à Libertadores, se disputará com o São Paulo o título nacional, mas uma certeza pode se ter: o Grêmio surpreenderá.

sexta-feira, agosto 25, 2006


Antes do returno, a ascenção

Não existiria melhor hora para uma guinada como essa. O Grêmio, na rodada que antecedia o fechamento do 1º turno do nacional, sapecou 4 x 1 no modesto Fortaleza. Foi de portões fechados, como já havia sido contra o Atlético, mas dessa vez, diferentemente, o Grêmio soube aproveitar o que criou. Hugo e Léo Lima comandaram a fácil vitória tricolor em um meio-campo que mostrou um entrosamento que antes não havia com Rafinha. Além de ganhar em altura, Mano parece ter ganho também em qualidade. Com a 5ª colocação, o time já faz brotar aquela ponta de esperança na torcida, que sonha com a vaga na Libertadores do ano que vem. O confronto contra o Corinthians é um bom teste para se medir as reais possibilidades tricolores. Se vencer, dá pra acreditar...
O Inter, que de certa forma dava mostras de que poderia seguir bem sem os titulares vendidos, assusta sua torcida, que viu a vitória escapar nas duas últimas partidas. Seria falta de ímpeto, de ambição, por já ter conquistado a Libertadores? Não creio. O Inter demonstrou sim uma apatia incomum, que precisa ser diagnosticada. As expulsões infantis, os 4 pontos perdidos nessas 2 vitórias certas causam um certo desconforto ao feliz colorado que esperava seguir vendo o time bem no Brasileirão. Domingo é o Vasco, que vem em bom momento. Está na hora de voltar a vencer.

quinta-feira, agosto 17, 2006


A América é vermelha

Não parecia que chovia. Muito menos que os termômetros marcavam quase 10º às 18h. Faltavam 4 horas para o começo do jogo e lá já estavam, nas cercanias do gigante da Beira-Rio, milhares de colorados à espera da realização de um sonho. Um sonho que nascera prematuro em 1980, e que só se concretizaria exatos 26 anos depois. O adversário era o poderoso São Paulo, respaldado pelos títulos da América e do mundo, e por trás da força do time estava o homem que conhecia o elenco colorado como a palma da mão, Muricy Ramalho. De nada adiantou. O Inter, ciente da vantagem criada na vitória em São Paulo, soube utilizar-se inteligentemente da mesma. É verdade que o jogo foi deveras complicado - como uma final sul-americana não poderia deixar de ser -, mas algo no ar dizia que nada poderia dar errado. Mesmo estando duas vezes à frente no placar, no 2º gol Paulo César Tinga foi expulso ao comemorar, dando aos paulistas a chance de reação. Foi o que aconteceu. O São Paulo dominou amplamente o 2º tempo, mas não teve forças suficientes para virar o jogo. Ficou claro também que para o Internacional nada vem fácil, tudo passa pelo sofrimento, até mesmo as glórias. No apito final do árbitro Horácio Elizondo, os milhares de corações colorados presentes às margens do Guaíba puderam ecoar um só canto: "Inter, nós somos os campeões da América"! Coube ao capitão Fernandão a gratificante missão de erguer a bela taça da Libertadores, dando a cada colorado o orgulho de sentir-se verdadeiramente dono da América.

terça-feira, agosto 15, 2006

O jogo mais importante do ano

Internacional e São Paulo fazem, nessa quarta-feira, o jogo mais importante do ano de 2006 para o futebol brasileiro. Com a desclassificação prematura de uma das melhores seleções brasileiras em uma Copa do Mundo, ficou a final brasileira da Libertadores que, de certa forma, pode ser encarada como uma compensação. No jogo de ida, o Inter foi melhor e bateu o time paulista por 2 x 1, trazendo na bagagem para o sul a vantagem de jogar em casa por um simples empate. O São Paulo defende sua hegemonia sul-americana, correndo atrás de seu 4º título. Já para o Inter a final tem ainda mais significado: nos 97 anos de história esse pode ser o maior título já alcançado pelo clube. Ambas equipes fazem o maior mistério possível acerca dos times que entrarão em campo. Joga Ricardo Oliveira? Quem substituirá Fabinho e Josué? Só Abel Braga e Muricy Ramalho podem responder. As única certeza que se tem é que presenciaremos um dos maiores jogos do ano. A confiança dos colorados reside no fato de que o São Paulo é obrigado a balançar as redes do arqueiro Clemer, ou seja, terá, em algum momento do jogo, de se abrir para ir em busca do gol. Abel sabe disso, e presume-se que usará isso de forma inteligente para contra-atacar os paulistas. Já os tricolores confiam no brio dos jogadores do São Paulo, que prometem reação à derrota sofrida diante de 70.000 torcedores.
Quem acordará quinta-feira com um orgulhoso sorriso de campeão da América? Tudo passa pelo aparado gramado do Gigante da Beira-Rio, amanhã, às 22h da noite.
Reação

Mesmo longe do estádio Olímpico, mesmo em um estádio completamente vazio, o Grêmio teve forças e bateu o Atlético-PR com um futebol convincente. Essas duas vitórias consecutivas, Juventude e Atlético, respectivamente, dão novos ares ao time da Azenha. Mano Menezes, em declaração a um jornal da capital, afirmou que está achando a equipe ideal. Para o gremista mais impaciente já estava mais do que na hora disso acontecer, mas analisando-se friamente a situação tem de se dar respaldo ao técnico gremista. Dos bons nomes que agora estão surgindo, alguns chegaram há alguns meses, outros semanas. Caso de Rômulo, Rafinha e Léo Lima. O mais importante da vitória em Caxias foi que mostrou um Grêmio mais encorpado, perdendo várias chances claras de gol, e principalmente, uma defesa pouco ameaçada pelos bons atacantes Dagoberto e Dênis Marques. Mano parece estar achando o caminho, e o Grêmio já está em 8º...
Pode-se chamar de reação também o resultado obtido pelo time B do Internacional. Em um jogo onde as opções de qualidade eram parcas, o colorado se fez mais forte do que o pobre Fortaleza. Apesar de sair atrás no placar, o Inter conseguiu a vitória que já não vinha há algum tempo. Agora todos os olhares concentram-se na quarta-feira. Dia em que os colorados poderão ir dormir donos da América.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Passo importante

Há algumas semanas atrás, escrevi aqui que Internacional e São Paulo caminhavam firmemente para fazer, pelo segundo ano consecutivo, uma final brasileira de Libertadores. Hoje, passado o 1º jogo das finais, quem deu um passo firme em direção ao título foi o time colorado. Notava-se, visivelmente, um certo ar de otimismo nos colorados antes da partida no Morumbi. Sabia-se que o adversário era nada mais nada menos do que o atual campeão da América e do mundo, e que suas qualidades eram intermináveis. O difícil era achar os defeitos no time são-paulino. O otimismo colorado baseava-se em uma única palavra: determinação. Se o time gaúcho conseguisse compensar a superioridade adversária, seria de um único jeito, e foi exatamente como aconteceu. O Inter foi mais time que o São Paulo pois teve mais atitude, do primeiro ao último minuto de jogo. A vitória, em pleno Morumbi, dá aos vermelhos a chance mais clara, em seus 97 anos de história, de sagrar-se dono do continente. O primeiro passo foi dado: vitória comandada por Rafael Sóbis sobre o São Paulo que nunca havia perdido jogos em mata-mata de Libertadores. O segundo passo, esse mais importante, está marcado para às 22h da quarta-feira que vem. O cenário já está montado na mente dos colorados: um mar vermelho atordoante, com as bandeiras tremulando e os corações vermelhos ansiosos em acordar e ver que tudo aquilo é mesmo realidade, o Inter está a um passo de pintar a América de vermelho.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Pra entrar na história

Passados os acontecimentos do grenal mais trite dos últimos tempos, a cabeça de cada colorado deve estar focada em um único pensamento, nesta semana. A possibilidade de ver o seu clube entre os dois maiores da América deixou de ser sonho e se tornou realidade. Nesta quinta, no confronto de volta contra os paraguaios do Libertad, encontra-se o último degrau para a final da Copa Libertadores. Não se deve esperar um jogo tranqüilo. Não os colorados. Mesmo vendo o São Paulo de Muricy desfilar vencendo por 3 x 0 nos gramados do Morumbi, para os colorados nada vêm fácil. Convivendo com a míngua e o escárnio dos rivais tricolores nas últimas décadas, vê-se ali, logo a frente, a possibilidade de provar para todos e para si mesmo que a grandeza do S. C. Internacional ultrapassa todas as fronteiras. Esse é o pensamento que cada jogador colorado deve ter em mente. Saber que hoje, com uma simples vitória, os fará entrar pra história de um dos maiores clubes do Brasil.

quinta-feira, julho 27, 2006

Bons Resultados

São Paulo e Inter, de certa forma, deram passos firmes e importantes para vermos, pela 2ª vez na história da Libertadores, uma final de um país só. O clube paulista caminha de forma mais sólida. Venceu ao forte time do Chivas em plena capital mexicana, com um gol nos últimos minutos da partida. Gol, que de certa forma, coroou a bela apresentação são paulina. Precisando só do empate no jogo de volta, cabe ao São Paulo, apenas, segurar os ímpetos do time mexicano que parece jogar melhor como visitante do que como mandante.
Já sobre o colorado, o resultado final do jogo contra os paraguaios pode ser considerado como positivo, sim. Apesar de ter jogado melhor em boa parte do 1º e 2º tempo, a partida terminar em 0 x 0 acabou sendo justa, de certa forma. Chances claras de gol quem teve mesmo foi o Libertad, em duas bolas na trave do goleiro Clemer, uma milagrosamente saída pela linha de fundo após bater nas costas do arqueiro colorado. Ficou tudo para o Beira-Rio. O cenário será o mesmo de quarta passada: o mar vermelho às margens do Guaíba, as bandeiras tremulando, e um único sentimento mútuo: o de que a vitória levará o Inter ao seu lugar mais alto em seus 97 anos de história.
Novo Comando

Ao optar por Dunga para substituir Parreira, a CBF (propositalmente ou não) conseguiu duas coisas: tirar o foco da corrupção interna e da desclassificação prematura na Copa da Alemanha, e criar um "burbinho" que pode até mesmo se classificar como positivo. Nessa semana, pode-se ver como a escolha de um nome inesperado teve grande impacto no meio futebolístico da imprensa nacional. Dunga vem para mudar a cara da seleção. Seu estilo vai de encontro ao de Parreira, pelo menos é o que se pode presumir. O gaúcho, como espera a CBF, trará de volta o espírito aguerrido e a raça que não se via desde a saída de Felipão. Eu dou meu voto de confiança. Exemplos como o de Dunga existem aos montes, e não são raros os que tiveram resultado positivo, não precisando ir muito longe no tempo - Klinsmann na Alemanha 3ª colocada. Creio que Dunga terá a postura que se espera dele, já evidenciada em sua 1ª atitude, a de convocar somente atletas que atuem no Brasil para esse 1º amistoso sob seu comando, contra a Noruega. Se Dunga perdurará até a Copa de 2010, na África do Sul, não sabemos. Só tem-se certeza de que brio não faltará aos comandados do ex-capitão.

segunda-feira, julho 24, 2006

Pra esquecer

Foi um fim-de-semana de dor de cabeça para os gaúchos. De nove disputados, os gaúchos conseguiram um único mísero pontinho, conseguido pelo Inter em um jogo de péssima qualidade. O adversário era o fraco Botafogo, e a noite era uma incógnita: conseguiria o time B colorado mostrar mais do que o futebol apresentado contra o Juventude? A resposta foi o que se viu em campo. Em um 1º tempo ruim que há muito não se via, quem levou mais perigo foram os cariocas. No 2º, ainda seu viu um pouco mais dos reservas colorados, que obrigaram o goleiro Max a fazer defesas milagrosas. Ainda é pouco, mas é admissível pela prioridade à Copa Libertadores. Querendo ou não, a cabeça dos colorados já está a quilômetros daqui, mais exatamente em Assunção.
O Grêmio e o Juventude saíram do Estado para enfrentar Figueirense e Santos, respectivamente. É preocupante constatar-se que já é rotina prever-se resultados negativos de ambos quando jogam fora. O Grêmio ainda não voltou desde a paralização da Copa. Vê-se um time com pouco entrosamento e o pior, apático. Mano Menezes promete uma avaliação mais pragmática do estado anímico dos atletas gremistas, noticiada veiculada no jornal Zero Hora de hoje (24/07). Está mais do que na hora.

quinta-feira, julho 20, 2006

Entre os 4 da América


Foi uma vitória empolgante como há muito não se via. O jogo tinha seu início às 19h, mas já era possível ver na tarde portoalegrense que a cidade estava tomada de vermelho. Mal o sol ameaçava pôr-se no horizonte e nas ruas já se via o rubro pulsante que só poderia significar uma única coisa: noite de decisão. E não se tratava de qualquer decisão. Era um dos confrontos que definiria um dos semifinalistas da Taça Libertadores da América, algo que todo torcedor colorado não vislumbrava há exatos 17 anos. O adversário, como não poderia deixar de ser, era um time de respeito. Dos 11 jogadores da LDU, 7 deles, há alguns dias atrás, passeavam pelas ruas verdes e bucólicas das cidadelas alemãs disputando a Copa do Mundo. O Inter havia perdido por 2 x 1 em Quito, e uma vitória simples teria o poder de trazer de volta o sorriso daqueles que viram o fatídico jogo de 1989, e criar um, ainda maior, naqueles que nunca presenciaram seu time em uma semifinal de Libertadores. O jogo começou empolgante, a equipe equatoriana postava-se bem em campo, possuia uma tranqüilidade irritante aos olhos dos que lá torciam, defendia-se bem e assim terminou o 1º tempo, sem sustos para a LDU. O que eles não esperavam aconteceu no 2º tempo:um Inter arisco e agudo voltou dos vestiários, abrindo o placar com apenas 7 minutos, gol de Rafael Sóbis da entrada da área. É consenso que é deveras mais fácil jogar com o resultado a favor, e ontem não poderia fugir a regra. Os equatorianos assustaram-se abrindo os espaços que o colorado tanto precisava. Não foram uma nem duas chances disperdiçadas, mas várias. O Internacional ampliaria a qualquer momento, era previsível para uma criança de 10 anos. Foi quando ele foi chamado do banco para entrar pra história. Wason Rentería entrou em lugar de Sóbis, e como de praxe, fez o que há muito não se via em um jogador no Beira-Rio: foi decisivo. Em uma arrancada pela esquerda, o colombiano pegou desprevinida uma zaga que já dava sinais de fragilidade, e com um toque de cobertura sobre o goleiro Mora da LDU, decretou o sono tranqüilo de milhões de gaúchos espalhados pelo Brasil. Era o Inter na semifinal da Libertadores, há exatos 4 jogos de um Mundial no Japão. Que venha o Libertad. Eles terão que passar por cima de 50.000 colorados munidos de sua paixão para ver o Inter campeão da América. Esse, definitivamente, é o ano.

quinta-feira, julho 13, 2006

De olho na LDU

O teste não era dos mais fortes. O interessante seria se observar a forma como a Ponte Preta se postaria em campo, que é como se imagina que os equatorianos farão na quarta que vem. O primeiro semestre mostrou para os colorados que jogar em casa não estava sendo positivo como se esperava. Contra times de menor porte então, nem se fala. O Internacional penava para furar os bloqueios mais fortes, insistindo em jogadas pelo meio. Exemplos como Figueirense e Santa Cruz, no Beira-Rio, demonstram bem meu ponto de vista. No jogo de ontem à noite, viu-se um Internacional mais consciente, que usou melhor as alas e soube abrir espaços. É fato que no meio estava o bom passe de Perdigão, ao invés da truculência de Edinho, mas o importante é observar que a vaga tão sonhada a semifinal pode estar mais perto do que se imagina.
Já o Grêmio não esperava por melhor sorte que a de ontem. Mas quase conseguiu. Ao sair vencendo em pleno Morumbi ao forte São Paulo, deu mostras de que poderia surpreender. Não surpreendeu. Cedeu a virada e ficou reclamando da arbitragem, enquanto o futebol demonstrado em campo não faz jus aos tempos áureos do Grêmio. Se o Grêmio sonha com a Sul Americana, é bom parar de ver apenas os erros dos outros...

O adeus de Zizou

Não foi a despedida esperada. A torcida gritava, aplaudia, e via com o olhar marejado e distante a apresentação final de Zidane arruinar-se. Todos queriam o Zidane de 1998. Não era preciso tanto: se o camisa 10 francês que entrasse no aparado gramado do estádio Olímpico de Berlim fosse o mesmo do fatídico jogo que eliminou o Brasil das quartas, já estaria de bom tamanho. Zizou parecia amarrado, irritado com as seguidas faltas que paravam o jogo a todo momento. Ainda assim se viu lances de genialidade, como na tabela feita no lado direito de ataque que culminou com a espetacular defesa de Buffon na cabeçada do craque. O mais triste é que a cabeçada que será lembrada não será essa, mas sim a da abrupta reação aos insultos do zagueiro italiano Materazzi. É interessante observar-se que Zidane já dava as costas ao lance, quando algo, alguma palavra bateu-lhe como um tapa no rosto. O craque virou-se, e num impulso usou a cabeça para acertar o peito do zagueiro de 1,92cm, nocauteando-lhe. Não era a despedida esperada, Zidane mesmo admitiu. O problema foi meter a mãe no meio...
Felicitações aos Lombardos

Devo admitir que dói um pouco escrever, mesmo que tardiamente, sobre o tetracampeonato italiano conquistado no domingo passado. Dói por ter visto os italianos eliminarem da Copa a seleção que mais garra e vontade havia demonstrado, numa semifinal que fora decida em meros 5 minutos, apenas. A Alemanha credenciava-se para conquistar a Copa que parecia destinada às suas mãos. Mas havia a Squadra Azzura pela frente, a Azzura que não mostrava futebol vistoso, mas sim o futebol-resultado, tático. Doeu também ver duas semifinais extritamente européias: quatro times do velho continente, sem americanos, africanos ou até mesmo asiáticos como a Coréia em 2002. A final era de peso, sentia-se que ali sim, a tradição poderia fazer-se decidir. As equipes eram parecidas, na sua forma de jogar e no pensamento de seus treinadores, e o que se viu foi um jogo igual, que poderia ter sido favorável aos franceses caso seu ataque fosse mais qualificado. Aos italianos coube fazer o que eles melhor fazem, esperar pela hora certa de decicidir, e dessa vez, seriam os pênaltis. Os mesmos pênaltis que fizeram o país inteiro chorar em 1994, dessa vez explodiram em um só canto, de do norte ao sul da península em forma de bota. Sorte dos italianos, felicidade merecida.

quarta-feira, julho 05, 2006

Crônica de uma morte anunciada

Não é fácil parar pra se pensar porque razão e quais motivos levaram a seleção brasileira a uma desclassificação prematura numa das Copas mais fáceis dos últimos tempos. Viu-se, em campo, um time que parecia ter esquecido o sentimento de brasilidade como há muito não se via. Não se percebia alma, coração, ou vontade alguma naqueles 11 que entraram em campo para enfrentar o velho time da França. Pior: parecia que a individualidade estava prevalecendo sobre o objetivo comum: ser HEXA campeão do mundo. Em uma de suas várias entrevistas concedidas na Alemanha, o lateral Cafu fora perguntado se sentia-se ameaçado pela bela apresentação de Cicinho após o jogo contra o Japão. O capitão da seleção respondeu:
-Olha, eu ainda tenho recordes pra quebrar dentro da seleção, por isso acho que contra Gana, eu jogo.
Isso resume tudo. Jogadores dispostos a quebrar recordes, isso era tudo que tinhamos. Sem falar no comando de nosso time. O técnico Carlos Alberto Parreira deu novas mostras de que não possui qualidades e comando suficiente para treinar o time do Brasil. Foi um treinador direcionado pelas cabeças superiores da CBF, que por medo ou algum outro motivo, não mexeu num time que, desde o começo da Copa, não mostrara sinais nenhum de qualidade. Conhecido por ser culto e escritor, acredito que o próximo best-seller de Parreira deverá se chamar "Como se perder uma Copa com o melhor time em 10 lições".

segunda-feira, junho 26, 2006

Matar ou morrer

O Brasil conseguiu se classificar com 9 pontos, um aproveitamento de 100% em seu grupo. Nada mais que o esperado. As críticas, duras por vezes, que a seleção brasileira recebeu tem fundamento. Não se viu, ainda, um futebol digno de vestir a camisa verde-amarela. Vencemos mas não convencemos. A melhor amostra dada com certeza foi no jogo contra o Japão, um meio campo veloz e seguro e os alas apoiando o tempo inteiro. Não teremos isso contra Gana, pois Cicinho e Gilberto voltam para o banco. Algo fundamental que a seleção do Brasil tem de entender é que não se ganha um torneio como Copa do Mundo no nome ou na camisa, é preciso, antes de tudo, mostrar qualidades para isso. O jogo de amanhã é quase que um divisor de águas, se não jogarmos com a seriedade necessária seremos surpreendidos pelo toque dos africanos. O Brasil tem que saber quem está enfrentando e a regra nº 1 é não subestimá-los. Torçamos, enfim...

segunda-feira, junho 19, 2006

Abençoado pelos céus
Antes de mais nada tem de se ficar registrado o que aconteceu por volta dos 40 minutos do segundo tempo do jogo de ontem. O menino, de apenas 21 anos, que muitos não sabiam nem existir, entra, dá alguns toques na bola, e lá está, com a goleira aberta a sua frente, para marcar o segundo gol que deu a tranquilidade necessária ao Brasil para vencer os australianos. Seu nome é Fred, e agora ele está na história das Copas.
Ainda não foi o Brasil de encher os olhos, do sonhado quadrado mágico, mas de certa forma, foi um Brasil diferente do que enfrentou a Croácia. Dessa vez, Ronaldo resolveu entrar em campo, ao menos. Deu alguns piques, algumas furadas em bola, mas o mais importante, deu a assistência para o gol de Adriano, isso ninguém pode negar. É consenso que apresentação pior do que a feita contra os croatas era impossível, mas tem de se ficar registrado a melhora do centroavante.
A seleção encaminhou sua classificação, num grupo que não era tão fácil assim, mas as desconfianças continuam. Por que? Pois bem, a explicação encontra-se na imagem construída por todos, incluindo o próprio técnico brasileiro, Carlos Alberto Parreira. O Brasil foi colocado em um patamar acima de todo e qualquer time do mundo, era visto como uma das melhores seleções já formadas na história do futebol. Mas se formos analisar friamente, isso corresponde? Creio que não. A seleção ideal pareceu ser a que venceu a Copa das Confederações, batendo na final a Argentina por 4 x 1. Tenho curiosidade em ver o jogo de quinta, contra os japoneses. Haverá evolução, indubitavelmente, mas o quanto eu não sei. Creio que todos torcemos para que Parreira não "morra abraçado" (como se diz na gíria do futebol) com os medalhões brasileiros, como Ronaldo e outros. Robinho pede passagem, e Juninho Pernambucano também.

sexta-feira, junho 16, 2006

O que o quadrado mágico ainda não fez

Hoje sim, viu-se uma amostra do que se considera o futebol total. A seleção argentina deu mostras, hoje, que é candidata certa ao seu terceiro título mundial, ao vencer com facilidade por 6 x 0 a seleção da Sérvia e Montenegro. Com um toque cadenciado e de qualidade, com uma defesa firme comandada pelo experiente zagueiro Ayala, o time argentino encaminhou a classificação e mais, deu espetáculo. No segundo gol, do volante Cambiasso, vimos o que o quadrado mágico ainda não conseguiu fazer: com mais de 2 minutos com a posse da bola, os jogadores procuravam sempre pelos pequenos espaços, com paciência. Foi aí que Cambiasso achou livre o centroavante Crespo, que com um toque de calcanhar, devolveu e fechou com chave de ouro à tabela. Gol mais bonito da Copa até agora, na minha opinião. Tomara que os brasileiros tenham assistido ao jogo, e si inspirado um pouco pelo menos.
Futuro futebol gaúcho

Tivemos uma pequena amostra dos jogadores que desfilarão pelos gramados gaúchos, em alguns anos. Tratou-se do campeonato brasileiro que aconteceu nesse mês de junho, que reuniu os maiores clubes do Brasil e suas categorias sub-20. Disputado em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul, a premiação veio na grande final: justamente um Gre-Nal, o primeiro a definir um campeonato nacional. Ontem, tanto Inter quanto Grêmio puderam demonstrar sua força na categoria junior, o jogo foi disputado com a força e raça que uma final merece, e no final deu Inter, 4 x 0. O placar, pra quem assistiu ao jogo, foi de certa forma exagerado. O colorado saiu na frente com o destaque Luis Adriano, e a partir daí foi o Grêmio quem pressionou. Foi só no segundo tempo que o placar se dilatou, com a defesa tricolor visivelmente desarrumada. O que ficou foi a impressão de bons ares no futuro. Os garotos mostraram que tem potencial para fazer história no futebol gaúcho e brasileiro.

terça-feira, junho 13, 2006

Começo burocrático

O Brasil estréia na Copa com vitória. Isso é o mais importante.
O futebol apresentado não foi de encher os olhos como a maioria esperava. Encarando um adversário difícil, 1 x 0 foi considerado goleada contra o time croata. Há de se concordar em parte: se formos considerar a estréia em 2002, e até mesmo em 1998, vencer na estréia é o objetivo, não dar show. Em 98 vencemos a fraca Escócia por 2 x 1, e em 2002, pelo mesmo placar, batemos a Turquia com um gol de pênalti em que a falta foi fora da área. Porém, não há dúvidas de parte alguma que o Brasil tem time e grupo a frente de todos as outras seleções que estão na Copa, então não deveria mostrar isso em campo? O que se pode constatar foi:
1º) O quadrado mágico dificilmente perdurará, visto que o Brasil perdeu o meio de campo para a mediana Croácia, imagine quando for enfrentar um adversário de nível, como Itália ou República Tcheca?
2º) Ronaldo está sim, visivelmente fora de forma. Hoje, mostrou-se descompromissado, sem a paixão necessária a qual um jogador deve recorrer em um torneio como a Copa do Mundo. Trotou o jogo inteiro e foi substítuido com qualidade pelo jovem Robinho. Com certeza terá de Parreira o presente de continuar mais alguns jogos como titular. É sua obrigação responder a altura.
O próximo jogo é domingo, contra a Austrália, o jogo que decidirá, provavelmente, o primeiro classificado do grupo F.

segunda-feira, junho 12, 2006

É a COPA

Demorei um pouco a postar nesse começo de Copa do Mundo para antes, poder analisar os primeiros jogos, e pude constatar que realmente começou, em todos os sentidos. Na realidade, ter futebol todos os dias, com os melhores times do mundo desfilando nos melhores gramados, não deve ser só sonho de exclusividade minha. A Copa não pode ser considerada futebol. Copa é maior que isso. É a paixão no rosto dos torcedores de todas as nações, é o futebol em sua qualidade suprema. Copa é copa, nada se iguala a isso.
Nessas primeiras rodadas, pode-se constatar poucas surpresas. Os times europeus estão realmente mais fortes que em 2002. Dificilmente haverá zebra a partir das quartas de final. Quem pode surpreender são dois africanos: Costa do Marfim, empurrada pelo craque passional Drogba, e Gana, que se mostrou forte mesmo diante da derrota para a Itália. Amanhã finalmente veremos o Brasil jogar, em plena capital alemã. É um teste de relativa dificuldade. Muitos falam em goleada, acho que não é bem por aí. Acredito em vitória, magra.
Consenso é que amanhã o país pára, num dos maiores fenômenos da atualidade. Tenho até certa curiosidade de dar uma volta pelas ruas de Porto Alegre, às 16h, imaginando assistir aqueles rolos de poeira em plena Azenha. Mas realmente não dá. Amanhã é dia de futebol. Dia de torcer pelo Brasil. Dia de começar uma conquista.


segunda-feira, junho 05, 2006

Agora só em julho...

O campeonato brasileiro para por um mês para ver os craques desfilarem na copa do mundo que acontece agora, em julho, na Alemanaha. Algumas conclusões podem ser tiradas nesse 1/3 de campeonato:
1º) O Inter tem um dos melhores grupos do torneio - se não for o primeiro, está entre eles com certeza. O que falta é um maior pulso de seu treinador para achar uma escalação ideal. Não se sabe se é por insegurança, influências externas ou pressão vinda de cima, o que se sabe é que, em 6 meses de trabalho, o Inter ainda não tem um time pronto. Fechou em 2º, com o mesmo número de pontos do 1º colocado Cruzeiro, mas ainda não convenceu.
2º) O Grêmio tem time para disputar mais do que a zona intermediária da tabela. Como já rechacei há alguns meses aqui no blog, o time do Grêmio não cai esse ano. Pelo contrário, se Mano Menezes continuar a tirar o máximo do potencial de seus jogadores, o time tricolor só tende a subir. Fechou essa primeira parte em 9º, quando alguns achavam dificíl o Grêmio deixar a zona de rabaixamento há algumas semanas.
3º) O Juventude é outro que de certa forma me surpreendeu. Afirmava que o time de Caxias era forte candidato ao descenso. Hoje, já conseguiu alguns resultados signficativos, como vitória no ABC contra o São Caetano, entre outros. Alguns reforços vieram em boa hora, agora cabe a Hélio do Anjos manter o foco e permanecer longe da parte de baixo da tabela.
4º) O grande fato que merece destaque ó nivelamento que há muito não se via no campeonato nacional. Os times da ponta da tabela (Cruzeiro, Inter, São Paulo, Santos e Fluminense) equivalem-se na irregularidade. O campeão dessa temporada com certeza se difinirá pelos meses de novembro/dezembro. Podem apostar.

sexta-feira, junho 02, 2006


Perigo à vista

Quando, às vésperas de uma Copa do Mundo, uma seleção não está integrada e focada em um só objetivo (a conquista da mesma), sabe-se que há algo errado. A notícia veiculada pelo jornal Zero Hora dessa sexta-feira é preocupante: alguns jogadores da seleção brasileira, em dia de folga, saíram para uma boate e lá ficaram até às 3h 30 da manhã. Pode parecer um pouco de exagero afirmar que isso não é normal, mas pra mim, não é. Pego por exemplo os casos de Ronaldinho gaúcho e Kaká, craques tão balados como Robinho, Ronaldo e cia, mas que sabem separar o lado profissional do pessoal, sabem que a melhor maneira de evitar críticas é não expondo-se dessa maneira. Outra fato: o Brasil mostra certo desconhecimento dos adversários do seu grupo na Copa. O próprio Ronaldo declarou ironicamente só conhecer um jogador australiano, o centroavante Aloisi. Pelo que se está podendo constatar nesses amistosos pré-Copa nem Austrália, nem Croácia e muito menos Japão podem ser subestimados. É bom abrir o olho...
Grêmio já é 8º

A recuperação do time tricolor no campeonato de estar surpreendendo ao resto do Brasil. Um time montado com a base que ficou do ano passado, reforçado por alguns reforços aqui e ali, mostra que pode chegar a uma sonhada vaga para um dos campeonatos continentais. O Grêmio já é oitavo, vençendo 3 partidas seguidas contra adversários de respeito no âmbito nacional, Goiás, Palmeiras e Santos, respectivamente. Quem convive diariamente com o futebol gaúcho sabe que isso não é em vão, a recuperação se resume a um só nome: Mano Menezes. O técnico, contestado por alguns há poucos dias, conseguiu arrumar o time gremista, que agora terá de provar se tem ou não condições de se manter nessa faixa da tabela. O adversário de sábado é o mesmo São Caetano que mostrou-se fraco contra o Internacional na quarta. Aposto na quarta vitória consecutiva.

quarta-feira, maio 31, 2006

Troca na Seleção

Depois do fácil jogo de ontem à tarde (o Brasil venceu por 8 x 0 o fraco combinado da Lucerna), a Seleção Brasileira acordou com uma má notícia: ao tentar dar um chute mais forte na bola, o zagueiro/volante Edmílson voltou a sentir a lesão no joelho que já o havia tirado de boa parte do Campeonato Espanhol. Para alguns, a lesão do jogador não foi tão ruim assim, se é que pode-se dizer isso. O porquê explica-se no fato de que o substituto será o volante do São Paulo, Mineiro. O jogador gaúcho sempre teve milhares de defensores da sua convocação para o Mundial, que acabou não acontecendo. Com a lesão de Edmílson, Mineiro tem a chance de disputar sua primeira Copa, e mostrar se seus defensores tinham razão ou não. Tem de se ressaltar que os dois são jogadores muito diferentes. Edmílson é mais defensivo, melhor na bola aérea e joga também de zagueiro. Ao optar por Mineiro, Carlos Alberto Parreira escolheu um jogador mais versátil, só que mais ofensivo. Um é primeiro volante, o outro é segundo. Jogadores como Mineiro a seleção tem aos montes (Juninho, Zé Roberto e até mesmo Ricardinho), já como Edmílson...
Ascensão

Apesar do pequeno atraso nos posts devido a uma falha no meu computador, volto a publicar fazendo um breve resumo do que foram essas duas últimas semanas de Campeonato Brasileiro, aproveitando pra fazer uma previsão do que ocorrerá na rodada de hoje à noite.
Começando pelo lado azul do Estado, é consenso que finalmente Mano Menezes está conseguindo tirar tudo que o modesto grupo do Grêmio pode oferecer. Ao vencer o Goiás em casa e ao Palmeiras em São Paulo, o time mostra que reencontrou a solidez defensiva mostrada nas finais do estadual. O tricolor parece estar finalmente conscientizado de que só conseguirá resultados positivos como esses se priorizar primeiro a marcação, depois a busca pelos gols. É bom se frizar também o crescimento do meia Hugo, que parece finalmente ter achado o futebol dos tempos de Juventude. O Grêmio no jogo de hoje pode ajudar o arqui-rival, se bater o não tão poderoso (como gosta de ressaltar a mídia do centro do país) Santos. Se jogar como jogou contra o Goiás, pode vencer.
O Inter tem um objetivo diferente nessas duas rodadas pré-parada para a Copa do Mundo. Ao conseguir 4 pontos contra dois times que com certeza estarão no topo da tabela no final do torneio (Corinthians e Cruzeiro), a equipe colorada mostra que tem forças pra conseguir essa almejada liderança. A boa notícia foi o bom futebol mostrado diante do Cruzeiro, mesmo com o empate em 1 x 1. Viu-se um meio-campo mais sólido do que nos últimos jogos, Alex e Tinga parecem completar-se, fazendo o time jogar mais fácil, como se diz no meio futebolístico. Hoje o Inter tenta quebrar um tabu, vencer o São Caetano em São Caetano. É o tipo de jogo que se desenha complicado, mas a vitória não é impossível, basta jogar como jogou domingo.

segunda-feira, maio 22, 2006

Preocupante

Não foi a derrota para um time de padrão médio que deixou os colorados preocupados, mas assim a forma como ela aconteceu. O técnico Abel Braga parece ter teimado mais uma vez em repetir uma escalação que deu certo, voltando aos dois zagueiros e colocando Fernandão -de atuação fraca - na meia. O Inter foi mais do que envolvido pelo Figueirense, saindo de campo no final do jogo provavelmente sem saber o porquê da derrota. Fica no ar a dúvida de como o Internacional irá reagir daqui para a frente contra os pequenos, como Fortaleza, Ponte Preta, entre outros times que virão jogar no Beira-Rio com a mesma proposta que o time catarinense utilizou com sucesso no sábado.
Outro fator preocupante: o Inter está jogando menos do que no ano passado, mesmo tendo mantido a base e se reforçado. Outro: com quase 6 meses de trabalho o técnico colorado ainda não achou seus 11 titulares, com uma decisão importantíssima na Libertadores pela frente. Preocupante, no mínimo.
O Grêmio, para felicidade da torcida tricolor, mostra sinais de reação. Como escrevi num post da semana passada, Mano Menezes teve tempo para estudar seus erros e de sua equipe, modificando o que se mostrava preciso. Deu relativamente certo contra a Ponte Preta, deixando escapar a vitória apenas no finalzinho do jogo, mesmo com 1 jogador à menos (Maidana foi expulso na etapa inicial). A meta continua sendo escapar da perigosa zona do rebaixamento antes da parada de junho, para a Copa do Mundo.

sexta-feira, maio 19, 2006


Donos do mundo

Que o Barcelona é o melhor time da atualidade ninguém tem dúvidas. O necessário era a prova disso, com uma conquista mais grandiosa do que o difícil campeonato espanhol. Essa conquista veio. Na quarta-feira, na velha Paris, o Barça bateu, de virada, ao também bom time do Arsenal, por 2 x 1. Não que o time da Catalunha tenha só valores individuais, como o melhor jogador do mundo Ronaldinho de Assis Moreira, mas o fato é que o holandês Riijkard (craque dos gramados nas décadas de 80 e 90, hoje técnico do Barcelona) conseguiu algo que muitos técnicos que por lá passaram não conseguiram: achar um time e um esquema ideal.
Na quarta-feira chegou a passar pela minha cabeça que o time do Barça sofria do mesmo mal dos quais muitos times já sofreram, o mal de "amarelar" nas horas decisivas. Ledo engano, faltando menos de 20 minutos para o final, o time catalão virou de forma fantástica um jogo que parecia amarrado e já decidido.
Eles já eram os donos da Espanha, agora são os donos da Europa, e no fim do ano tentarão, pela primeira vez em sua história, ser os donos do mundo.

quarta-feira, maio 17, 2006

Semana para balanço

O Inter encara o Figueirense no sábado, na corrida para alcançar a primeira colocação. O Grêmio pega a Ponte Preta em Campinas, sonhando com a fuga da zona do rebaixamento. Essa semana sem jogos para a dupla gre-nal serviu única e exclusivamente para a análise do desempenho demonstrado até agora no campeonato nacional. Para Abel Braga a missão é muito mais fácil. Sua única dúvida é manter ou não o esquema que bateu o poderoso São Paulo no último domingo, por 3 x 1. A vitória lhe concebeu a moral necessária para mexer ou manter os titulares que vem utilizando. Já Mano Menezes passa por momento delicado. Todas suas convicções tem se demonstrado frágeis. Mesmo mudando a cada rodada, o time parece não encontrar aquela espinha dorsal (um bom goleiro, um volante confiável, um meia criativo e um centroavante matador) que toda equipe precisa para crescer em um torneio. Contra a Ponte, Mano deve alterar o time novamente. A esperança gremista é que dessa vez o time ache o futebol perdido há algumas semanas.

segunda-feira, maio 15, 2006


Os pentacampeões esquecidos no tempo...

É interessante fazer-se um exercício de memória e lembrar do time campeão da Copa no Japão e na Coréia. Lá, jogadores consagraram-se, outros pouco atuaram, mas todos estavam lá, assistindo Cafu levantar a taça em cima do palanque da FIFA. Ronaldinho por exemplo, mostrou ao mundo que já era o melhor jogador do planeta; seu xará, o Nazário, deu a volta por cima de forma iluminada, tornando-se o maior artilheiro de Copas já visto. Kaká, hoje peça fundamental, viu a Copa passar sem nem colocar suas chuteiras nos gramados. Por aí se vão exemplos, mas criei o tópico pra lembrar daqueles que lá estavam e que hoje devem ter sentido saudade daquele ano de 2002, ao verem o anúncio dos selecionáveis para a Copa da Alemanha. Muitos não estão entre os preferidos de Parreira por causa da idade, ou por causa do momento técnico, ou por simplesmente terem caído no descaso.
Marcos - Goleiro titular na conquista de 2002, hoje amargurou a não convocação por estar num momento de sérias lesões, apesar da sua experiência inegável.
Belletti e Júnior - Incrivelmente ambos passam por ótimo momento na carreira. O primeiro foi bicampeão espanhol pelo Barcelona, e vê logo a frente a possível conquista da Copa dos Campeões da Europa. O segundo era cogitado para a vaga que Gilberto conquistou, por seu desempenho no São Paulo.
Roque Junior e Anderson Polga - estes sim podem ser considerados jogadores que caíram no descaso. Roque Junior já era contestado em 2002, hoje não figurou entre os convocados, foi preterido por Cris, zagueiro de qualidade duvidável. Já Polga foi a surpresa de Scolari em 2002, hoje é titular do Sporting, onde mantém a boa regularidade dos tempos de Grêmio.
Kléberson, Vampeta e Juninho Paulista - é estranho perceber que esses jogadores estavam lá na conquista de 2002. Dois deles foram fundamentais (Kléberson e Juninho), e hoje um está perdido em algum clube europeu, e o outro está praticamente encerrando carreira no Palmeiras. Vampeta, hoje no Goiás, já foi surpresa na lista de 4 anos atrás.
Luizão, Rivaldo, Edílson e Denílson - os 4 atacantes são os que mais surpreendem hoje. Felipão, diferentemente de Parreira, optou pela experiência a quatro anos atrás. Rivaldo, Edílson e Luizão já passavam da casa dos 30. Hoje vemos Adriano e Robinho, recém saídos dos 20. Rivaldo era o único citado por alguns para a lista de hoje, pelo bom momento no Olimpiakos.
Os escolhidos


Não surpreendeu a ninguém a lista divulgada hoje por Parreira dos convocados para a Copa do Mundo da Alemanha. Os melhores estão lá, em todas as posições. Mas nem todos estão em seus melhores momentos. Adriano e Ronaldo, a dupla de ataque dos sonhos, está em baixa: ambos vêm atuando pouco e mostrando pouco futebol em seus clubes (Internazionale e Real Madri, respectivamente). Cá entre nós, jogador brasileiro em Copa do Mundo joga o que não jogou o ano inteiro. É o que se espera dos dois. As únicas convocações que podem ser consideradas inesperadas é a do lateral-esquerdo Gilberto, e a de Rogério Ceni. Gilberto foi escolhido por sua versatilidade -jogou no Grêmio como meia e teve ótimo resultado - e pelo mal momento de seu concorrente, Gustavo Nery. Ceni foi escolhido por seu ótimo momento, depois de ganhar o Mundial em Yokohama esse é o prêmio por seu esforço. Deixou Marcos e Gomes para trás. Aí vai a lista, para quem ainda não viu:
Goleiros: Dida, Júlio César e Rogério Ceni

Zagueiros: Lúcio, Juan, Luisão e Cris

Laterais: Cafu, Roberto Carlos, Cicinho e Gilberto

Meias: Emerson, Gilberto Silva, Edmílson, Juninho, Zé Roberto, Kaká, Ricardinho e Ronaldinho

Atacantes: Ronaldo, Adriano, Robinho e Fred

Final de semana positivo

Os gaúchos cumpriram bem o seu papel nesse fim de semana. Pelo campeonato brasileiro, tivemos 2 vitórias e um empate suado no Maracanã.
O Inter desfilou pelos gramados da Beira-Rio, venceu e o mais importante, convenceu. O adversário era o poderoso tricampeão do Mundo, o São Paulo, e pior, completo, de Rogério Ceni à Aloísio. Já não bastasse isso, o Internacional não contava com Tinga, Fernandão e Clemer, além de outros reservas de luxo. Mas de luxo mesmo foi a apresentação, um 3 x 1 com atuações individuais e coletiva convincente. Destaque para o zagueiro Índio, que fez a sua melhor partida pelo Inter nesses 3 anos de colorado. O Inter caminha no campeonato brasileiro, parece não querer repetir os erros do ano passado, quando deixou de somar pontos fáceis dentro e fora de casa. Já são 13 pontos em 15 disputados.
O tricolor foi ao Rio em busca de reabilitação. Quase conseguiu. Depois de ser surpreendido por 2 gols em menos de 15 minutos, o Grêmio assentou e começou a jogar bola. Em um segundo tempo com dois a mais, teve o ímpeto de buscar o empate, que veio quase no final da partida. O resultado de 2 x 2 não pode ser considerado ruim somente pelas condições da partida. O time do Grêmio tem que estabelecer como meta para esses 6 jogos pré-paralisação da Copa a saída do grupo de rebaixamento. Acredito que só as vitórias em casa já serão suficiente, mas tem que vencer e polpar o sofrimento por um mês dos torcedores gremistas durante a Copa do Mundo.
Outro que se deu bem foi o Juventude, em pleno Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul. Percebe-se que a toca do azulão para com os gaúchos já não é mais a mesma. O time de Caxias venceu com tranqüilidade por 2 x 0.