quarta-feira, março 29, 2006


"Clássico é clássico e vice-versa"

Pois é, nesse sábado tem gre-nal. Mais: o clássico que não foi disputado no ano de 2005 volta logo em final de gauchão, ou seja, garantia de jogo duro e faíscas. O otimismo colorado é tanto que até mesmo entre os gremistas esse sentimento já existe, parece haver uma certa precaução até mesmo no jogo do dia 1º, no Olímpico.
Nesses quase 20 anos de existência e mais ou menos 12 de paixão cega por futebol, já carrego certa bagagem pra afirmar que favoritismo de nada vale em jogos como esse. Já assisti a tantos clássicos onde o time inferior tecnicamente busca tanta força de vontade e garra dentro de si pra vencer que a qualidade é muitas vezes deixada de lado. Não sei se é o caso do jogo de sábado, o Grêmio não me parece um time vibrante o bastante pra se fazer reverter a superioridade visível do Internacional. Meu palpite é de empate com gols, e vejam que posto 3 dias antes do clássico!
Mas como o "filósofo" ex-centroavante do Grêmio Jardel falou em uma tarde de verão no Olímpico, "clássico é clássico e vice-versa", e esse eu garanto que será dos bons.


Ah, quase ia esquecendo, prestemos atenção no comportamento de Tinga nesse jogo, o primeiro que ele atuará com a camisa do arqui-rival, em pleno Olímpico Monumental.


Vergonha no Gauchão

Depois de passado o grande burburinho que se criou com o gesto polêmico feito pelo zagueiro do Juventude, Antônio Carlos, fica no ar a pergunta se ouve ato de racismo ou não da parte do atleta. O ex-jogador de grandes clubes como o magnífico Palmeiras da primeira metade da década de 90 -que contava também com Rivaldo, Djalminha, Edmundo e cia.-, a Associação Esportiva Roma, e a própria seleção brasileira , conseguiu um feito de raras proporções no futebol do país: ser manchete em todos os jornais com algo relacionado ao preconceito entre raças. Digo isso porque em um país como o nosso, com uma enorme mistura de cores e culturas, ter preconceito contra "negro" ou contra "branco"em qualquer âmbito ou circunstância é, sinceramente, uma enorme besteira. Ao passar os dedos sobre o braço, insinuando que por ser negro, o jogador gremista Jeovânio agiria dessa ou daquela maneira, Antônio Carlos jogou seu belo passado no lixo. Quem acreditou que o jogador quis apenas simbolizar as várias camisas importantes que já vestira na carreira - como ele declarou - é no mínimo ingênuo. Casos como esse deveriam ser tratados com a maior severidade possível. É assim que o brasileiro aprende, infelizmente.
Mas como era de se esperar, nada aconteceu. O jogador foi suspenso por poucos dias mas por nada que tivesse a ver com seu ato racista. Na minha humilde opinião, se o zagueiro do Juventude (que já se encontra com 37 anos) tivesse sido banido do futebol, não seria uma medida tão drástica. O mínimo que se pode fazer é torcer pra que casos como esse não aconteçam mais, mas como eu e você sabemos, é muito difícil acreditar nisso.