domingo, outubro 22, 2006

Mudança de papel

Com o empate entre Grêmio e São Paulo, na tarde de domingo primaveril em Porto Alegre, os gaúchos acabaram por trocar de papel no Brasileirão. Agora quem segue mais de perto (se é que assim pode-se dizer) o tricolor paulista é o colorado, que bateu fácil a Ponte Preta em Campinas, no sábado.
O jogo dos líderes não foi como se esperava. Mais por falta de empenho paulista do que gaúcho. Por vezes, ficou até chato de assistir. Com um gol marcado aos 50 segundos de jogo, o São Paulo resolveu, inexplicavelmente, administrar o resultado desde ali. Só que o Grêmio, como mostrou hoje, é um time muito mais maduro do que o que começou o campeonato. Poderia ter empatado já no 1º tempo, mas foi só no 2º que Hugo desferiu um forte chute de canhota vencendo Ceni e igualando o placar. Ficou assim até o apito final, que acabou beneficiando, de certa forma, o São Paulo. Resta aos gaúchos continuarem vencendo e torcendo por tropeços da turma de Muricy. Quinta eles enfrentam o Figueirense, em Santa Catarina. Eu sou catarina desde pequeninho.
Outro fato curioso que o empate criou foi o do Gre-Nal do dia 5, próximo. Se Inter e Grêmio mantiverem as boas campanhas, podem disputar no clássico a chance de vencer o nacional. Será o novo Gre-Nal do século, na expectativa de um para a Libertadores do ano que vem. Daí o coração não agüentará...

domingo, outubro 15, 2006

No encalço do líder

Com a vitória de ontem sobre o São Caetano, em São Caetano do Sul, o Grêmio reassumiu a vice-liderança do Brasileirão. A situação é que está um pouco diferente de algumas rodadas atrás. A diferença para o São Paulo aumentou, e já está em 8 pontos. O título, como o próprio Mano Menezes definiu, é praticamente impossível, visto que faltam poucas rodadas e o time paulista parece ter voltado a jogar um bom futebol. Mesmo assim, a situação do tricolor gaúcho deve ser, no mínimo, deliciante para os torcedores. O Grêmio está na Libertadores de 2007. Isso é fato. Seu desempenho nesse returno de nacional garante isso. Também fica fácil de se apostar devido à concorrência - Paraná, Santos, Cruzeiro -, times medianos e pra lá de irregulares. O ano está ganho, resta ao Grêmio agora somar aos ponto a ponto, esperando por um tropeço são paulino. Esse tropeço pode ser causado pelas próprias mãos (ou pés) gaúchas, já que domingo que vem teremos o clássico no estádio Olímpico. Jogaço que pode apimentar o campeonato.
O Inter pega um Fluminense cabisbaixo, vindo de várias derrotas consecutivas. Cabe ao mistão de Abel fazer o dever de casa, com Iarley e Rentería no ataque. As pretensões coloradas no nacional já não animam mais o torcedor, mesmo assim, devemos ter bom público neste domingo.

terça-feira, outubro 10, 2006

A Disseminação das Chuteiras Brancas

“Zezinho lança para a esquerda, Totó domina no peito e já olha para o companheiro desmarcado na grande área, dando um passe magistral por cobertura. O centroavante domina macia a redonda no peito a fazendo deslizar pelo gramado, olha para o goleiro, o gol é certo. O estádio pára. A cidade pára. Ele vai marcar...chega Tonhão rasgando tudo de bico pra fora do estádio!” Jogadas como essa estão cada vez mais presentes no futebol que vemos hoje. A pobreza que toma conta do esporte nacional já é encarada até como natural pelos conhecedores do futebol, os mesmos que assistiram Pelé, Tostão e cia. Jogarem, hoje já se entregam ao futebol pensado, “tático”.
É uma legião de pernas de pau, volantes brucutus quebradores de bola, zagueiros que são apresentados à redonda um dia antes dos jogos, tomando conta dos gramados. Até mesmo o celeiro de ases, o Brasil, está se acostumando a vê-los desfilarem pelos estádios mundo afora, e o pior: com status de jogadores diferenciados. É engraçado já poder dizer “na minha época...” como fazem seguidamente meu pai e meu avô. Com apenas 20 anos de paixão pelo futebol, consigo claramente separar a década de 90 dos anos 2000. Acostumar-se a ver Edinhos, Jeovânios, Ediglês quando se viu Mauro Silva desfilando soberanamente na Copa de 1994, ou então seu xará Mauro Galvão, um zagueiro de menos de 1, 80 de altura, multicampeão pelos times que passou, é difícil.
O pior, infelizmente, não é isso. O que se vê atualmente é uma ridícula disseminação das chuteiras coloridas – são prateadas, azuis, vermelhas e mais comumente, brancas – e o mais catastrófico: nos pés dos pernas de pau. Na modesta opinião deste que aqui escreve, somente os craques deveriam ter esse direito. E esses mesmos craques teriam a honra do título outorgado por uma junta de analisadores do esporte bretão. É um pouco radical, admito. Mas se não for desse jeito, todos de chuteira preta! A chuteira colorida serve pra dar destaque àquele que traz alegria às multidões, marca gols de placa. Elas não foram feitas pra dar chutão pra fora da grande área.
Enfim, peço que se juntem a mim aqueles que prezam pelo futebol bem jogado, pelas tabelas surpreendentes, os elásticos infindáveis. Chega de ver times amarrados por padrões táticos implantados por treinadores retranqueiros, a multiplicação dos 0 x 0, 1 x 1. Digamos sim aos Ronaldinhos Gaúchos e não aos cabeças de bagre.