quinta-feira, julho 27, 2006

Bons Resultados

São Paulo e Inter, de certa forma, deram passos firmes e importantes para vermos, pela 2ª vez na história da Libertadores, uma final de um país só. O clube paulista caminha de forma mais sólida. Venceu ao forte time do Chivas em plena capital mexicana, com um gol nos últimos minutos da partida. Gol, que de certa forma, coroou a bela apresentação são paulina. Precisando só do empate no jogo de volta, cabe ao São Paulo, apenas, segurar os ímpetos do time mexicano que parece jogar melhor como visitante do que como mandante.
Já sobre o colorado, o resultado final do jogo contra os paraguaios pode ser considerado como positivo, sim. Apesar de ter jogado melhor em boa parte do 1º e 2º tempo, a partida terminar em 0 x 0 acabou sendo justa, de certa forma. Chances claras de gol quem teve mesmo foi o Libertad, em duas bolas na trave do goleiro Clemer, uma milagrosamente saída pela linha de fundo após bater nas costas do arqueiro colorado. Ficou tudo para o Beira-Rio. O cenário será o mesmo de quarta passada: o mar vermelho às margens do Guaíba, as bandeiras tremulando, e um único sentimento mútuo: o de que a vitória levará o Inter ao seu lugar mais alto em seus 97 anos de história.
Novo Comando

Ao optar por Dunga para substituir Parreira, a CBF (propositalmente ou não) conseguiu duas coisas: tirar o foco da corrupção interna e da desclassificação prematura na Copa da Alemanha, e criar um "burbinho" que pode até mesmo se classificar como positivo. Nessa semana, pode-se ver como a escolha de um nome inesperado teve grande impacto no meio futebolístico da imprensa nacional. Dunga vem para mudar a cara da seleção. Seu estilo vai de encontro ao de Parreira, pelo menos é o que se pode presumir. O gaúcho, como espera a CBF, trará de volta o espírito aguerrido e a raça que não se via desde a saída de Felipão. Eu dou meu voto de confiança. Exemplos como o de Dunga existem aos montes, e não são raros os que tiveram resultado positivo, não precisando ir muito longe no tempo - Klinsmann na Alemanha 3ª colocada. Creio que Dunga terá a postura que se espera dele, já evidenciada em sua 1ª atitude, a de convocar somente atletas que atuem no Brasil para esse 1º amistoso sob seu comando, contra a Noruega. Se Dunga perdurará até a Copa de 2010, na África do Sul, não sabemos. Só tem-se certeza de que brio não faltará aos comandados do ex-capitão.

segunda-feira, julho 24, 2006

Pra esquecer

Foi um fim-de-semana de dor de cabeça para os gaúchos. De nove disputados, os gaúchos conseguiram um único mísero pontinho, conseguido pelo Inter em um jogo de péssima qualidade. O adversário era o fraco Botafogo, e a noite era uma incógnita: conseguiria o time B colorado mostrar mais do que o futebol apresentado contra o Juventude? A resposta foi o que se viu em campo. Em um 1º tempo ruim que há muito não se via, quem levou mais perigo foram os cariocas. No 2º, ainda seu viu um pouco mais dos reservas colorados, que obrigaram o goleiro Max a fazer defesas milagrosas. Ainda é pouco, mas é admissível pela prioridade à Copa Libertadores. Querendo ou não, a cabeça dos colorados já está a quilômetros daqui, mais exatamente em Assunção.
O Grêmio e o Juventude saíram do Estado para enfrentar Figueirense e Santos, respectivamente. É preocupante constatar-se que já é rotina prever-se resultados negativos de ambos quando jogam fora. O Grêmio ainda não voltou desde a paralização da Copa. Vê-se um time com pouco entrosamento e o pior, apático. Mano Menezes promete uma avaliação mais pragmática do estado anímico dos atletas gremistas, noticiada veiculada no jornal Zero Hora de hoje (24/07). Está mais do que na hora.

quinta-feira, julho 20, 2006

Entre os 4 da América


Foi uma vitória empolgante como há muito não se via. O jogo tinha seu início às 19h, mas já era possível ver na tarde portoalegrense que a cidade estava tomada de vermelho. Mal o sol ameaçava pôr-se no horizonte e nas ruas já se via o rubro pulsante que só poderia significar uma única coisa: noite de decisão. E não se tratava de qualquer decisão. Era um dos confrontos que definiria um dos semifinalistas da Taça Libertadores da América, algo que todo torcedor colorado não vislumbrava há exatos 17 anos. O adversário, como não poderia deixar de ser, era um time de respeito. Dos 11 jogadores da LDU, 7 deles, há alguns dias atrás, passeavam pelas ruas verdes e bucólicas das cidadelas alemãs disputando a Copa do Mundo. O Inter havia perdido por 2 x 1 em Quito, e uma vitória simples teria o poder de trazer de volta o sorriso daqueles que viram o fatídico jogo de 1989, e criar um, ainda maior, naqueles que nunca presenciaram seu time em uma semifinal de Libertadores. O jogo começou empolgante, a equipe equatoriana postava-se bem em campo, possuia uma tranqüilidade irritante aos olhos dos que lá torciam, defendia-se bem e assim terminou o 1º tempo, sem sustos para a LDU. O que eles não esperavam aconteceu no 2º tempo:um Inter arisco e agudo voltou dos vestiários, abrindo o placar com apenas 7 minutos, gol de Rafael Sóbis da entrada da área. É consenso que é deveras mais fácil jogar com o resultado a favor, e ontem não poderia fugir a regra. Os equatorianos assustaram-se abrindo os espaços que o colorado tanto precisava. Não foram uma nem duas chances disperdiçadas, mas várias. O Internacional ampliaria a qualquer momento, era previsível para uma criança de 10 anos. Foi quando ele foi chamado do banco para entrar pra história. Wason Rentería entrou em lugar de Sóbis, e como de praxe, fez o que há muito não se via em um jogador no Beira-Rio: foi decisivo. Em uma arrancada pela esquerda, o colombiano pegou desprevinida uma zaga que já dava sinais de fragilidade, e com um toque de cobertura sobre o goleiro Mora da LDU, decretou o sono tranqüilo de milhões de gaúchos espalhados pelo Brasil. Era o Inter na semifinal da Libertadores, há exatos 4 jogos de um Mundial no Japão. Que venha o Libertad. Eles terão que passar por cima de 50.000 colorados munidos de sua paixão para ver o Inter campeão da América. Esse, definitivamente, é o ano.

quinta-feira, julho 13, 2006

De olho na LDU

O teste não era dos mais fortes. O interessante seria se observar a forma como a Ponte Preta se postaria em campo, que é como se imagina que os equatorianos farão na quarta que vem. O primeiro semestre mostrou para os colorados que jogar em casa não estava sendo positivo como se esperava. Contra times de menor porte então, nem se fala. O Internacional penava para furar os bloqueios mais fortes, insistindo em jogadas pelo meio. Exemplos como Figueirense e Santa Cruz, no Beira-Rio, demonstram bem meu ponto de vista. No jogo de ontem à noite, viu-se um Internacional mais consciente, que usou melhor as alas e soube abrir espaços. É fato que no meio estava o bom passe de Perdigão, ao invés da truculência de Edinho, mas o importante é observar que a vaga tão sonhada a semifinal pode estar mais perto do que se imagina.
Já o Grêmio não esperava por melhor sorte que a de ontem. Mas quase conseguiu. Ao sair vencendo em pleno Morumbi ao forte São Paulo, deu mostras de que poderia surpreender. Não surpreendeu. Cedeu a virada e ficou reclamando da arbitragem, enquanto o futebol demonstrado em campo não faz jus aos tempos áureos do Grêmio. Se o Grêmio sonha com a Sul Americana, é bom parar de ver apenas os erros dos outros...

O adeus de Zizou

Não foi a despedida esperada. A torcida gritava, aplaudia, e via com o olhar marejado e distante a apresentação final de Zidane arruinar-se. Todos queriam o Zidane de 1998. Não era preciso tanto: se o camisa 10 francês que entrasse no aparado gramado do estádio Olímpico de Berlim fosse o mesmo do fatídico jogo que eliminou o Brasil das quartas, já estaria de bom tamanho. Zizou parecia amarrado, irritado com as seguidas faltas que paravam o jogo a todo momento. Ainda assim se viu lances de genialidade, como na tabela feita no lado direito de ataque que culminou com a espetacular defesa de Buffon na cabeçada do craque. O mais triste é que a cabeçada que será lembrada não será essa, mas sim a da abrupta reação aos insultos do zagueiro italiano Materazzi. É interessante observar-se que Zidane já dava as costas ao lance, quando algo, alguma palavra bateu-lhe como um tapa no rosto. O craque virou-se, e num impulso usou a cabeça para acertar o peito do zagueiro de 1,92cm, nocauteando-lhe. Não era a despedida esperada, Zidane mesmo admitiu. O problema foi meter a mãe no meio...
Felicitações aos Lombardos

Devo admitir que dói um pouco escrever, mesmo que tardiamente, sobre o tetracampeonato italiano conquistado no domingo passado. Dói por ter visto os italianos eliminarem da Copa a seleção que mais garra e vontade havia demonstrado, numa semifinal que fora decida em meros 5 minutos, apenas. A Alemanha credenciava-se para conquistar a Copa que parecia destinada às suas mãos. Mas havia a Squadra Azzura pela frente, a Azzura que não mostrava futebol vistoso, mas sim o futebol-resultado, tático. Doeu também ver duas semifinais extritamente européias: quatro times do velho continente, sem americanos, africanos ou até mesmo asiáticos como a Coréia em 2002. A final era de peso, sentia-se que ali sim, a tradição poderia fazer-se decidir. As equipes eram parecidas, na sua forma de jogar e no pensamento de seus treinadores, e o que se viu foi um jogo igual, que poderia ter sido favorável aos franceses caso seu ataque fosse mais qualificado. Aos italianos coube fazer o que eles melhor fazem, esperar pela hora certa de decicidir, e dessa vez, seriam os pênaltis. Os mesmos pênaltis que fizeram o país inteiro chorar em 1994, dessa vez explodiram em um só canto, de do norte ao sul da península em forma de bota. Sorte dos italianos, felicidade merecida.

quarta-feira, julho 05, 2006

Crônica de uma morte anunciada

Não é fácil parar pra se pensar porque razão e quais motivos levaram a seleção brasileira a uma desclassificação prematura numa das Copas mais fáceis dos últimos tempos. Viu-se, em campo, um time que parecia ter esquecido o sentimento de brasilidade como há muito não se via. Não se percebia alma, coração, ou vontade alguma naqueles 11 que entraram em campo para enfrentar o velho time da França. Pior: parecia que a individualidade estava prevalecendo sobre o objetivo comum: ser HEXA campeão do mundo. Em uma de suas várias entrevistas concedidas na Alemanha, o lateral Cafu fora perguntado se sentia-se ameaçado pela bela apresentação de Cicinho após o jogo contra o Japão. O capitão da seleção respondeu:
-Olha, eu ainda tenho recordes pra quebrar dentro da seleção, por isso acho que contra Gana, eu jogo.
Isso resume tudo. Jogadores dispostos a quebrar recordes, isso era tudo que tinhamos. Sem falar no comando de nosso time. O técnico Carlos Alberto Parreira deu novas mostras de que não possui qualidades e comando suficiente para treinar o time do Brasil. Foi um treinador direcionado pelas cabeças superiores da CBF, que por medo ou algum outro motivo, não mexeu num time que, desde o começo da Copa, não mostrara sinais nenhum de qualidade. Conhecido por ser culto e escritor, acredito que o próximo best-seller de Parreira deverá se chamar "Como se perder uma Copa com o melhor time em 10 lições".