terça-feira, agosto 29, 2006

Diagnóstico Colorado

O Inter pós-Libertadores já não agrada mais a torcida. No jogo de domingo a tarde pode-se ouvir as primeiras vaias direcionadas ao time, na derrota para o Vasco. Vaias justificadas, sim. Há de se considerar que é um novo Inter: de 11 titulares, 5 deles não estavam presentes na tarde ensolarada de domingo. Desses 5, 4 já não pertencem mais ao colorado: Sóbis, Tinga, Jorge Wagner e Bolívar. Élder Granja estava fora por causa da lesão na panturrilha, que o tirou das finais da Libertadores. O diagnóstico passa também pelo estado anímico do time. Parece haver uma falta de ímpeto, de gana, como se o objetivo já estivesse conquistado, o que é um erro. O Inter não se pode deixar cair no mesmo erro do São Paulo de 2005: venceu a Libertadores e relaxou no Brasileirão, não jogando o mesmo bom futebol no Mundial, em dezembro. O nacional tem de ser usado como laboratório para dezembro? Sim, essa é a oportunidade de se azeitar um time de caras novas, sem o mesmo entrosamento daquele que conquistou a América há pouco mais de 10 dias. O que não se pode esquecer é que torcedor é torcedor. Ainda mais um torcedor que há pouco voltou a sentir o doce sabor de voltar a ser campeão. Se o time não melhorar a torcida irá chiar, está no seu direito. Amanhã é o Santa Cruz. E voltar a vencer já é urgente.
Qual o limite do Grêmio?

Passada essa 1ª rodada do returno do nacional, e passada também a euforia momentânea (justificada) pela qual passa a torcida gremista, não se pode deixar de perguntar: qual o limite do Grêmio? O time já se encontra na 3ª colocação - a melhor desde 2002 -, e vem, de uns tempos pra cá, mostrando um futebol mais consistente e, principalmente, com mais cara de Grêmio. Na vitória contra o Corinthians, o esquema que entrava em campo parecia defensivo demais, com um meio-campo povoado e com o solitário Rômulo na frente. Parecia. O Grêmio mostra em campo que de defensivo nada tem. Quando ataca, o time de Mano Menezes usa de 4 a 5 jogadores, sendo que dois deles são pensadores de bola (Hugo e Tcheco). Aí se explica o crescimento tricolor: um time disciplinarmente técnico que tem no comando, a beira do gramado, um treinador que promete, Mano Menezes. É díficil se projetar se o Grêmio chegará à Libertadores, se disputará com o São Paulo o título nacional, mas uma certeza pode se ter: o Grêmio surpreenderá.

sexta-feira, agosto 25, 2006


Antes do returno, a ascenção

Não existiria melhor hora para uma guinada como essa. O Grêmio, na rodada que antecedia o fechamento do 1º turno do nacional, sapecou 4 x 1 no modesto Fortaleza. Foi de portões fechados, como já havia sido contra o Atlético, mas dessa vez, diferentemente, o Grêmio soube aproveitar o que criou. Hugo e Léo Lima comandaram a fácil vitória tricolor em um meio-campo que mostrou um entrosamento que antes não havia com Rafinha. Além de ganhar em altura, Mano parece ter ganho também em qualidade. Com a 5ª colocação, o time já faz brotar aquela ponta de esperança na torcida, que sonha com a vaga na Libertadores do ano que vem. O confronto contra o Corinthians é um bom teste para se medir as reais possibilidades tricolores. Se vencer, dá pra acreditar...
O Inter, que de certa forma dava mostras de que poderia seguir bem sem os titulares vendidos, assusta sua torcida, que viu a vitória escapar nas duas últimas partidas. Seria falta de ímpeto, de ambição, por já ter conquistado a Libertadores? Não creio. O Inter demonstrou sim uma apatia incomum, que precisa ser diagnosticada. As expulsões infantis, os 4 pontos perdidos nessas 2 vitórias certas causam um certo desconforto ao feliz colorado que esperava seguir vendo o time bem no Brasileirão. Domingo é o Vasco, que vem em bom momento. Está na hora de voltar a vencer.

quinta-feira, agosto 17, 2006


A América é vermelha

Não parecia que chovia. Muito menos que os termômetros marcavam quase 10º às 18h. Faltavam 4 horas para o começo do jogo e lá já estavam, nas cercanias do gigante da Beira-Rio, milhares de colorados à espera da realização de um sonho. Um sonho que nascera prematuro em 1980, e que só se concretizaria exatos 26 anos depois. O adversário era o poderoso São Paulo, respaldado pelos títulos da América e do mundo, e por trás da força do time estava o homem que conhecia o elenco colorado como a palma da mão, Muricy Ramalho. De nada adiantou. O Inter, ciente da vantagem criada na vitória em São Paulo, soube utilizar-se inteligentemente da mesma. É verdade que o jogo foi deveras complicado - como uma final sul-americana não poderia deixar de ser -, mas algo no ar dizia que nada poderia dar errado. Mesmo estando duas vezes à frente no placar, no 2º gol Paulo César Tinga foi expulso ao comemorar, dando aos paulistas a chance de reação. Foi o que aconteceu. O São Paulo dominou amplamente o 2º tempo, mas não teve forças suficientes para virar o jogo. Ficou claro também que para o Internacional nada vem fácil, tudo passa pelo sofrimento, até mesmo as glórias. No apito final do árbitro Horácio Elizondo, os milhares de corações colorados presentes às margens do Guaíba puderam ecoar um só canto: "Inter, nós somos os campeões da América"! Coube ao capitão Fernandão a gratificante missão de erguer a bela taça da Libertadores, dando a cada colorado o orgulho de sentir-se verdadeiramente dono da América.

terça-feira, agosto 15, 2006

O jogo mais importante do ano

Internacional e São Paulo fazem, nessa quarta-feira, o jogo mais importante do ano de 2006 para o futebol brasileiro. Com a desclassificação prematura de uma das melhores seleções brasileiras em uma Copa do Mundo, ficou a final brasileira da Libertadores que, de certa forma, pode ser encarada como uma compensação. No jogo de ida, o Inter foi melhor e bateu o time paulista por 2 x 1, trazendo na bagagem para o sul a vantagem de jogar em casa por um simples empate. O São Paulo defende sua hegemonia sul-americana, correndo atrás de seu 4º título. Já para o Inter a final tem ainda mais significado: nos 97 anos de história esse pode ser o maior título já alcançado pelo clube. Ambas equipes fazem o maior mistério possível acerca dos times que entrarão em campo. Joga Ricardo Oliveira? Quem substituirá Fabinho e Josué? Só Abel Braga e Muricy Ramalho podem responder. As única certeza que se tem é que presenciaremos um dos maiores jogos do ano. A confiança dos colorados reside no fato de que o São Paulo é obrigado a balançar as redes do arqueiro Clemer, ou seja, terá, em algum momento do jogo, de se abrir para ir em busca do gol. Abel sabe disso, e presume-se que usará isso de forma inteligente para contra-atacar os paulistas. Já os tricolores confiam no brio dos jogadores do São Paulo, que prometem reação à derrota sofrida diante de 70.000 torcedores.
Quem acordará quinta-feira com um orgulhoso sorriso de campeão da América? Tudo passa pelo aparado gramado do Gigante da Beira-Rio, amanhã, às 22h da noite.
Reação

Mesmo longe do estádio Olímpico, mesmo em um estádio completamente vazio, o Grêmio teve forças e bateu o Atlético-PR com um futebol convincente. Essas duas vitórias consecutivas, Juventude e Atlético, respectivamente, dão novos ares ao time da Azenha. Mano Menezes, em declaração a um jornal da capital, afirmou que está achando a equipe ideal. Para o gremista mais impaciente já estava mais do que na hora disso acontecer, mas analisando-se friamente a situação tem de se dar respaldo ao técnico gremista. Dos bons nomes que agora estão surgindo, alguns chegaram há alguns meses, outros semanas. Caso de Rômulo, Rafinha e Léo Lima. O mais importante da vitória em Caxias foi que mostrou um Grêmio mais encorpado, perdendo várias chances claras de gol, e principalmente, uma defesa pouco ameaçada pelos bons atacantes Dagoberto e Dênis Marques. Mano parece estar achando o caminho, e o Grêmio já está em 8º...
Pode-se chamar de reação também o resultado obtido pelo time B do Internacional. Em um jogo onde as opções de qualidade eram parcas, o colorado se fez mais forte do que o pobre Fortaleza. Apesar de sair atrás no placar, o Inter conseguiu a vitória que já não vinha há algum tempo. Agora todos os olhares concentram-se na quarta-feira. Dia em que os colorados poderão ir dormir donos da América.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Passo importante

Há algumas semanas atrás, escrevi aqui que Internacional e São Paulo caminhavam firmemente para fazer, pelo segundo ano consecutivo, uma final brasileira de Libertadores. Hoje, passado o 1º jogo das finais, quem deu um passo firme em direção ao título foi o time colorado. Notava-se, visivelmente, um certo ar de otimismo nos colorados antes da partida no Morumbi. Sabia-se que o adversário era nada mais nada menos do que o atual campeão da América e do mundo, e que suas qualidades eram intermináveis. O difícil era achar os defeitos no time são-paulino. O otimismo colorado baseava-se em uma única palavra: determinação. Se o time gaúcho conseguisse compensar a superioridade adversária, seria de um único jeito, e foi exatamente como aconteceu. O Inter foi mais time que o São Paulo pois teve mais atitude, do primeiro ao último minuto de jogo. A vitória, em pleno Morumbi, dá aos vermelhos a chance mais clara, em seus 97 anos de história, de sagrar-se dono do continente. O primeiro passo foi dado: vitória comandada por Rafael Sóbis sobre o São Paulo que nunca havia perdido jogos em mata-mata de Libertadores. O segundo passo, esse mais importante, está marcado para às 22h da quarta-feira que vem. O cenário já está montado na mente dos colorados: um mar vermelho atordoante, com as bandeiras tremulando e os corações vermelhos ansiosos em acordar e ver que tudo aquilo é mesmo realidade, o Inter está a um passo de pintar a América de vermelho.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Pra entrar na história

Passados os acontecimentos do grenal mais trite dos últimos tempos, a cabeça de cada colorado deve estar focada em um único pensamento, nesta semana. A possibilidade de ver o seu clube entre os dois maiores da América deixou de ser sonho e se tornou realidade. Nesta quinta, no confronto de volta contra os paraguaios do Libertad, encontra-se o último degrau para a final da Copa Libertadores. Não se deve esperar um jogo tranqüilo. Não os colorados. Mesmo vendo o São Paulo de Muricy desfilar vencendo por 3 x 0 nos gramados do Morumbi, para os colorados nada vêm fácil. Convivendo com a míngua e o escárnio dos rivais tricolores nas últimas décadas, vê-se ali, logo a frente, a possibilidade de provar para todos e para si mesmo que a grandeza do S. C. Internacional ultrapassa todas as fronteiras. Esse é o pensamento que cada jogador colorado deve ter em mente. Saber que hoje, com uma simples vitória, os fará entrar pra história de um dos maiores clubes do Brasil.