sexta-feira, setembro 22, 2006

Paciência


É mais comum do que imaginamos a implicância por parte da torcida com determinados jogadores, em qualquer lugar do globo. A situação pela qual passa o jovem jogador Michel, do Internacional, é velha conhecida dos colorados. Antes dele os alvos eram Edinho e até mesmo o ex-ídolo, Rafael Sóbis, hoje no Real Bétis. Mas seria idêntica a desses outros jogadores o momento de Michel? Trazido em 2005 por Fernando Carvalho, o jogador chegou ao Beira-Rio trazendo na bagagem a desconfiança por parte dos vermelhos, que tanto o viram vestindo as cores do Juventude e sendo, por muitas vezes, carrasco do Internacional. Michel só passou a entrar com regularidade mesmo nesse ano de 2006, fazendo no 1º semestre, um trabalho, digamos, razoável. Marcou gols importantes na Libertadores, fazia bem às vezes de meio-campo no lugar de Tinga, e quando começava no banco, era sempre uma aposta de Abel para o 2º tempo. Mesmo nessa época, já era alvo das vaias vindas das mas diversas áreas do estádio. Após a parada da Copa do Mundo, Michel desencontrou-se. O futebol e a segurança parecem ter desaparecido, e junto disso, vieram as vaias mais fortes e mais freqüentes. Ficou claro, nesses dois últimos jogos (contra São Paulo e Figueirense), que o ponteiro sentiu o peso das críticas. No 1º tempo contra os catarinenses, conseguiu ser um dos mais apagados, num Inter que já estava fraco coletivamente. Abel faz certo em poupá-lo. Tirar o foco de cima do jogador parece ser a única solução. Edinho e Sóbis deram a volta por cima. Mas com Michel será preciso de muito mais paciência, e eu, sinceramente, não sei se os colorados a terão.

terça-feira, setembro 19, 2006

Inevitável comparação

Já está mais do que provado que o Grêmio tem um dos 4 melhores grupos do Brasil. Afirmo isso porque há algumas semanas a dúvida ainda residia na minha cabeça, seria mesmo duradoura a boa fase tricolor? Vice-líder do campeonato, o Grêmio já é apontado no centro do país como favorito ao título junto de São Paulo e Internacional, e tudo isso passa pelos pés de um jogador: Rômulo. O centroavante trazido do tímido Ituano, do interior de São Paulo, provou à todos que é uma das raridades do futebol brasileiro, quiçá mundial: um centroavante típico. Pra quem lembra, no 1º gre-nal do Brasileirão, um dos poucos destaques de ambos os lados foi o centroavante, em um jogo de pouco brilho e muita confusão. Contra o Botafogo, balançou a rede três vezes, mostrando oportunismo e boa dose de intimidade com a bola. Nele está uma das explicações para o ataque mais positivo do nacional pertencer ao time de Mano Menezes. Vendo-o jogar veio-me a comparação com um centroavante de sucesso do Grêmio da década de noventa. Esse mesmo. Jardel. Os dois não se assemelham muito na forma de jogar - Rômulo parece mais técnico com a bola no chão -, mas é inevitável a comparação. Jardel deu ao Grêmio uma Libertadores,um Brasileirão e uma Copa do Brasil. Rômulo ainda engatinha, mas vê logo a frente a possibilidade real de sua primeira grande conquista. Amanhã é a vez da Ponte Preta, em pleno 20 de setembro. Garantia de Olímpico lotado.

terça-feira, setembro 12, 2006

Jogaço

No próximo final de semana, teremos o privilégio de presenciar a reedição da final da Libertadores. Agora, válida pelo campeonato nacional, a partida entre São Paulo e Inter traz os dois times em momentos um pouco diferentes daqueles do mês de agosto. O time paulista não está num bom momento. Muricy começa a receber as primeiras críticas mais fortes por parte da torcida, insatisfeita com pontos perdidos para o Fortaleza em casa e para o rival Corinthians com 9 jogadores em campo. O jogo contra o colorado pode servir como motivação para o tricolor distanciar-se definitivamente no topo da tabela. Já o Inter vem numa ascenção. Venceu as últimas três partidas, parecendo finalmente ter focado o pensamento na conquista do Brasileirão. Depois da queda no pós-título, o Internacional mostrou domingo, contra o Atlético-PR, que tem ainda elenco para disputar o nacional. Jogo com garantia de faíscas: de um lado, o balançado Muricy Ramalho com Mineiro e cia, sedentos por vingança. Do outro, o confiante time de Abel Braga esperando aprontar mais uma pra cima dos paulistas. Façam suas apostas.
O Grêmio tem - nessa e na próxima rodada - a real chance de firmar-se definitivamente no grupo que disputará a Libertadores de 2007. Enfrenta, no Olímpico, à Botafogo e a Ponte Preta, times medianos que não tem assustado nesse brasileiro. Com a força da torcida e do futebol coletivo de Mano o time tricolor deve, finalmente, tranqüilizar e dar a confiança necessária ao esperançoso torcedor gremista, que sonha em ver o time voltar a pelear nos campos da América. A chance é agora.

domingo, setembro 03, 2006

O bom filho à casa torna

Só uma palavra define a campanha do Grêmio até aqui no campeonato nacional. Solidez. Na fria mas ensolarada tarde de inverno em Porto Alegre, o torcedor gremista voltava ao estádio Olímpico Monumental. E voltava feliz. Feliz porque após ver de longe seu time vencer 7 dos últimos 8 jogos no brasileiro, finalmente ele poderia estar junto novamente, gritando, apoiando, vendo de perto a campanha surpreendente que o Grêmio faz até aqui. E não foi diferente: por 2 x 1, o tricolor bateu o bom time do Paraná, que até aqui também fazia campanha regular. Tudo voltou ao normal, finalmente. Lugar de torcedor é e sempre será ao lado do time, no estádio. Depois da vexatória atitude de alguns gremistas no último gre-nal do Beira-Rio, neste domingo quem foi à Azenha foi com um só intuito, torcer.
Voltando a campanha gremista, já está se tornando repetitivo dizer o quão surpreendente ela é, mas é preciso registrar. No começo do ano, escrevi aqui que o Grêmio nao caía, de jeito nenhum, por ter grupo mais forte que outros times do brasileiro, etc. Hoje, vejo um Grêmio disposto a brigar pelo título, e com todas as condições possíveis. Ninguém segura o Grêmio, é o que parece.
Outra boa notícia vem das margens do Guaíba. O Inter parece ter caído em si e retomado um pouco o espírito que o consagrou campeão da América. A apatia parece ter dado lugar à motivação de ser tetra nacional, finalmente. Após a vitória de virada contra o Flamengo, no sábado, as declarações dos jogadores já aparentavam mais motivação, mais determinação. Essas duas vitórias longe de casa (Santa Cruz e Flamengo) serviram para medir as pretensões do Inter para o fim do segundo semestre. Dá para ser campeão, é só querer. Contra o Atlético-PR, é hora de voltar a vencer no Beira-Rio. Imagino o gre-nal do returno, no Olímpico, com os dois times tão próximos na tabela. O Estado vai tremer.

Só mesmo o Brasil

Zidane bate a falta ao lado da área, Henry livre, completamente desmarcado e na frente de Dida, marca o gol que abortava prematuramente o sonho do hexa campeonato na Alemanha. Hoje, dois meses depois, a seleção brasileira vence, com naturalidade, à poderosa Argentina por sonoros 3 x 0. Com um time de cara nova, já sem os medalhões Ronaldo, Cafu e cia., os selecionáveis de Dunga venceram e mais, deram show. Com gols de Elano (dois) e Kaká - que retornava após a tragédia diante da França -, o Brasil provou que é notoriamente surpreendente, e isso é exclusividade sua. Quem diria, até o mais otimista dos otimistas, que aquele mesmo time apático e desalmado de meses atrás, bateria passionalmente o mais aguerrido dos times? Dunga começa firme sua caminhada na seleção. Essa vitória dá o respaldo que ele precisava pra confiar no seu comando lá adiante, na Copa da África do Sul, em 2010. Além disso, é notável perceber a diferença do Brasil de Dunga para o Brasil de Carlos Alberto Parreira: mesmo sem a mesa experiência, o gaúcho parece ter instalado o seu espírito no time. Suas convicções parecem repercutir de forma positiva no grupo. A ausência de "cadeiras cativas" dá aos jogadores mais jovens a confiança pra buscar seu espaço, casos de Rafael Sóbis, Elano, Gomes e outros. Terça é a vez do País de Gales, teste mais fácil mais diferente para os brasileiros.