domingo, dezembro 17, 2006

Planeta Vermelho

Aconteceu. O sonho vivo no imaginar de todos os colorados concretizou-se às 10h30, desse domingo, no apito do árbitro. O Internacional é campeão do mundo de clubes, no Japão. A façanha torna-se ainda maior pelo fato de ter sido tão árdua. O adversário era nada mais nada menos que o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, o melhor jogador do planeta. Além dele dá pra se listar Deco, Zambrotta, Iniesta e por aí vai. Era quase consenso, no meio da semana, que não havia forma de se bater os catalães. Mesmo que o Inter fizesse a melhor partida de sua vida, teria de torcer para que seu adversário não estivesse num dia bom. Não foi o que aconteceu. O Barcelona, como de costume, não sentiu o peso e a pressão da final, jogando com toda sua naturalidade. Ameaçou o gol de Clemer, trocava passes à exaustão, mas deparou-se com algo inesperado: aquele time brasileiro não jogava como um time brasileiro deveria jogar. A marcação era tão forte que o máximo conseguido pelos espanhóis eram chutes de longa distância. O Inter abdicou, de certa forma, de atacar em boa parte do 1º tempo e começo do 2º, quando o predestinado Adriano Gabiru (ele mesmo, execrado nos pagos rio-grandenses), substituindo o capitão Fernandão, recebeu passe de Iarley e viu-se frente a frente com Valdes, goleiro do Barça. Imagino o que não passou pela cabeça do alagoano Gabiru neste momento...Todas as vaias recebidas, a vida difícil, tudo isso seria esquecido se seu pé direito empurasse a bola para o fundo das redes da goleira do belíssimo estádio de Yokohama. Aconteceu. Aos 38 do segundo tempo o Inter tornava-se campeão mundial de clubes. Davi derrotava Golias. O semblante de Ronaldinho ao final demonstrava o sentimento da metade azul dos gaúchos: incredulidade. Já o sorriso do garoto Pato simbolizava a alegria dos vermelhos, que chegavam ao ponto mais alto de seus 97 anos de história. Comemore torcedor colorado. Essa alegria é só sua, e não poderia ser maior.



quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sufoco!

Não se podia esperar um jogo fácil. O adversário, além do time africano do Al Ahly, era também a ansiedade e o nervosismo pela estréia no maior torneio de clubes da FIFA. Já na entrada dos times em campo, os jogadores colorados entravam perfilados e demonstravam o tamanho da responsabilidade em suas feições: todos tensos, de poucos sorrisos. Quando a bola rolou, nos primeiros 15 minutos, viu-se um Al Ahly jogando sem maiores responsabilidades, tocando a bola como se ali estivessem em Cairo. Para o Inter, a bola não parecia estar redonda: os passes saíam ou fortes demais ou demasiadamente fracos, nunca se viu tantas bolas na canela como no início do jogo. Então surgiu Alexandre Pato, que no alto dos seus 17 anos de idade, assumiu a responsabilidade aproveitando-se de falha da zaga egípcia e mandando, impiedosamente, um chute de peito de pé, rasteiro, estufando as redes do Estádio Nacional de Tóquio. A partir daí tudo se acalmou e o time finalmente se encontrou. Certo? Errado. O Internacional de hoje fez os colorados relembrarem a dura década de 90, quando o time saía na frente e retrancava-se, começando a jogar mal. O time egípcio dominou o fim do primeiro tempo e boa parte do segundo, marcando seu gol em uma patetada da defesa colorada, com o centroavante angolano Flávio. Para os colorados nada vêm fácil, tudo, até o mais profundo regozijo, tem de vir envolto em sofrimento. Foi quando Luiz Adriano, aquele mesmo garoto vaiado na última apresentação no Beira-Rio perante sua torcida, meteu sua abençoada testa do bairro Bom Jesus cumprimentando cruzamento de Ceará. Inter 2 x 1. É importante registrar-se que estréias nunca são fáceis, principalmente quando a responsabilidade é do tamanho do mundo, literalmente. O primeiro passo já foi dado, com dificuldade, é verdade, mas agora que venha a final. O Inter já está lá, e espera, de camarote, à Barcelona ou América do México para, quem sabe, pintar o planeta de vermelho .

Desmanche


O processo pelo qual passa o time do Grêmio pós-Brasileirão começa a assustar um pouco sua torcida. Da espinha dorsal formada pelo técnico Mano Menezes no segundo semestre de 2006 já não restam muitos jogadores: saíram Evaldo, Jeovânio, Hugo e Rômulo, pra ficar só nos titulares. Eu sinceramente não creio que fosse algo imprevisto pela diretoria gremista, ainda mais sabendo que, desde a parada para a Copa do Mundo, o Grêmio encaminhava-se bem para a volta à Libertadores (o que acabou acontecendo). O acontecimento se explica por duas razões: primeiro que a maioria dos contratos feitos pelo tricolor expiravam-se em dezembro, casos de Rômulo e Hugo; segundo que com a projeção conquistada pelo elenco na temporada 2005/06 - título da Série B somado ao 3º lugar na série A - seria natural o aumento nos pedidos salariais, casos de Jeovânio e Maidana. O que interessa realmente ao torcedor é saber quando e como o Grêmio se reforçará. Parece estar chegando a Porto Alegre o xerife argentino Schiavi, boa contratação, apesar de que admito desconhecer o momento em que o atleta se encontra. 2007 tem tudo para ser um ano ainda melhor que 2006 para a torcida, mas que a diretoria gremista não pense que as reposições serão tarefa fácil e muito menos simples. A espinha dorsal tem de ser refeita, e quanto mais cedo, melhor...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Primeiro passo


Quem assistiu ao primeiro jogo do Mundial de Clubes, que definiu o Al Ahly como o adversário do Internacional na semifinal do torneio, não deve ter ficado muito assustado. A carência de qualidade individual e coletiva ficou clara nas duas equipes, apesar do time egípcio mostrar um pouco mais de intimidade com a bola. A jogada principal é uma tabela feita pelo chão utilizando o centroavante angolano Flávio como parede, que deu certo contra os neo-zeolandeses. Abel Braga e o elenco colorado puderam ver o que esperar do campeão africano, e devem ter chegado a uma conclusão consensual: o principal inimigo do Inter é ele mesmo. Caso vença a ansiedade e o peso de estar estreando no maior jogo da história colorada, o Inter vencerá, com certeza.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Tóquio é aqui

Depois de tempos sem me dedicar ao blog, não existe motivo mais nobre (e importante) para voltar a escrever: o Internacional finalmente está no Japão. Os colorados que hoje torcem para ver o time da Beira-Rio conquistar o planeta não tem muita noção do momento que estão prestes a presenciar. Esse time, de Fernandão, Edinho, Clemer, está na eminência de inserir o maior título de 97 anos de história no clube.
Após uma conturbada viagem, a chegada a Tóquio foi relativamente tranqüila. Aos poucos, os atletas se adaptam ao fuso, ao clima frio e à espera para a próxima quarta-feira, quando iniciam a caminhada à final. Antes devem assistir ao jogo do Al Ahly x Alckland City, no domingo, com a intenção de se prepararem e analisarem o possível adversário.
É o Inter respirando os ares orientais, à espera da realização do sonho de cada colorado espalhado pelo planeta. Força Inter, e que quarta seja o início deste sonho.