Nascido para os holofotesDas ruas bucólicas da pequena Pato Branco surgiria para o futebol uma das maiores revelações das últimas décadas. O garoto Alexandre, desde pequeno, botara na cabeça a idéia de ser jogador de futebol. Idéia comum entre os garotos de pouca idade, mas o caso de Alexandre Rodrigues era diferente, possuía uma convicção que surpreendia a todos. Tanto é que com apenas 11 anos já estava alojado no Estádio Beira-Rio, vivendo longe do carinho do pai e dos mimos da mãe, cercado por meninos que dividiam com ele os mesmos sonhos. Deixava de lado uma adolescência normal, como a de muitos outros, pra tentar a sorte mesmo com as grandes dificuldade que se avizinhavam. Imberbe, de aparelho nos dentes, ele conquistou tudo pelas categorias de base do clube.

A maior dessas conquistas foi sem dúvida o Campeonato Brasileiro sub-20, com direito a goleada sobre o arqui-rival na final do torneio, 4 x 0, com show da promissora dupla com Luiz Adriano. Vieram também as convocações para as seleções de base, sub-15, sub-17 e a última, sub-20. Pato (apelido herdado da cidade natal) cresceu, assim como seu futebol. Aos poucos, os rumores de que o maior craque depois de Falcão estava para surgir na Avenida Padre Cacique: um garoto quase completo, bom cabeçador, veloz, de chutar qualquer bola não importando a perna. Em sua saída para o Bétis, da Espanha, Rafael Sóbis, outro das grandes revelações surgidas no Inter, declarou que seu substituto já estava no Beira-Rio, o que acabou se comporvando no jogo Palmeiras 1 x 4 Inter, estréia de Pato pelos profissionais. Demonstrando uma maturidade impressionante para seus 17 anos, Alexandre Pato marcou um gol e deu passe para outros dois.

Estava praticamente carimbado seu passaporte para o Mundial que viria logo ali a frente, no Japão. O jovem prodígio teve fundamental importância nos dois jogos, abrindo o placar contra o Al Ahly e movimentando-se intensamente contra os zagueiros Rafa Márquez e Puyol, do Barcelona. Com apenas 17 anos Pato já fazia parte da maior conquista de toda história de um clube de 97 anos.

O ano de 2007 começou e mesmo com as campanhas ruins no Estadual e na Libertadores da América, Pato continuou chamando atenção, principalmente dos europeus. Com a conquista da Recopa, Pato praticamente fechou seu ciclo curto, porém vitorioso na história do Internacional. A apaixonada torcida colorada esperava curtir um pouco mais seu ídolo, quem sabe até o final do ano, mas sua venda para o Milan, da Itália, não surpreende.

Pato é do tipo de jogador que não se esconderá, mesmo no duro futebol italiano. Ronaldo que se cuide. O que fica para os gaúchos é a saudade de poder ver nos seus gramados um menino do cacife de Alexandre. Dos gols espetaculares, dos balãozinhos de ombro e das grandes conquistas alcançadas. Um menino nascido, definitivamente, para brilhar.
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