quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sufoco!

Não se podia esperar um jogo fácil. O adversário, além do time africano do Al Ahly, era também a ansiedade e o nervosismo pela estréia no maior torneio de clubes da FIFA. Já na entrada dos times em campo, os jogadores colorados entravam perfilados e demonstravam o tamanho da responsabilidade em suas feições: todos tensos, de poucos sorrisos. Quando a bola rolou, nos primeiros 15 minutos, viu-se um Al Ahly jogando sem maiores responsabilidades, tocando a bola como se ali estivessem em Cairo. Para o Inter, a bola não parecia estar redonda: os passes saíam ou fortes demais ou demasiadamente fracos, nunca se viu tantas bolas na canela como no início do jogo. Então surgiu Alexandre Pato, que no alto dos seus 17 anos de idade, assumiu a responsabilidade aproveitando-se de falha da zaga egípcia e mandando, impiedosamente, um chute de peito de pé, rasteiro, estufando as redes do Estádio Nacional de Tóquio. A partir daí tudo se acalmou e o time finalmente se encontrou. Certo? Errado. O Internacional de hoje fez os colorados relembrarem a dura década de 90, quando o time saía na frente e retrancava-se, começando a jogar mal. O time egípcio dominou o fim do primeiro tempo e boa parte do segundo, marcando seu gol em uma patetada da defesa colorada, com o centroavante angolano Flávio. Para os colorados nada vêm fácil, tudo, até o mais profundo regozijo, tem de vir envolto em sofrimento. Foi quando Luiz Adriano, aquele mesmo garoto vaiado na última apresentação no Beira-Rio perante sua torcida, meteu sua abençoada testa do bairro Bom Jesus cumprimentando cruzamento de Ceará. Inter 2 x 1. É importante registrar-se que estréias nunca são fáceis, principalmente quando a responsabilidade é do tamanho do mundo, literalmente. O primeiro passo já foi dado, com dificuldade, é verdade, mas agora que venha a final. O Inter já está lá, e espera, de camarote, à Barcelona ou América do México para, quem sabe, pintar o planeta de vermelho .

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